quinta-feira, 25 de setembro de 2008

"Killifish" - Um peixe caindo das nuvens?

Antes de vc começar a ler sobre estes espetaculares organismos aquáticos vale lembrar que o termo "killifish" não significa "peixe assassino", e sim "peixe de riacho ou canal" da tradução do termo holandês "killi", ok.

Dentre os peixes que habitam as águas continentais brasileiras são sem dúvida os mais desconhecidos de todos, sejam pelos seus hábitos reprodutivos ou pela capacidade de sobrevivência e adaptação às mais variadas condições de água e solo(como veremos adiante).


Embora estes peixes possuam ampla distribuição geográfica abordaremos somente os que são possíveis de serem encontrados no Rio de Janeiro. Os gêneros cariocas são: Leptolebias, Simpsonichtys, kriptolebias, Rivulus, Notolebias, Nematolebias.
Mas quais são as razões que fazem destes peixes seres únicos dentro do bioma mata atlântica? Certamente dois fatores: dinâmica reprodutiva e a vulnerabilidade dos ambientes lóticos anuais e não-anuais.


O ciclo de vida dos killifishes obedece ao regime de chuvas pela formação do que conhecemos como "poças anuais", que são depressões no solo que recebem e retêm as águas das chuvas de verão. No início da estação chuvosa os ovos depositados na lama/substrato no ano anterior eclodem em questão de alguns dias dando a impressão de que cairam junto com a chuva como num passe de mágica. Interessante não é mesmo? Tem mais! Como um peixe consegue habitar e se perpetuar em locais que aparentemente existe mais lama que água? Como suportam temperaturas de até 45ºC? Como respiram se a taxa de oxigênio é zero? De onde vêm todas as cores e qual o significado destas? Alimentam-se de quê? Muitas das respostas quem nos dá são o Departamento de zoologia e icitiologia da UFRJ e um reduzidíssimo e seleto grupo de aquariofilistas dotados de conhecimentos e técnicas altamente especializadas em manutenção e reprodução(consequentemente a perpetuação), conhecidos como "killiófilos".


Estes ciprindontiformes têm muito a nos ensinar sobre evolução das espécies, pressão antrópica, biodiversidade e (principalmente) sobre a extrema vulnerabilidade de sua existência.


Criou-se no Brasil (e o culpado é o poder público) uma mentalidade de que todo lago, brejo, lagoa ou poça d'água é foco potencial de mosquitos transmissores de doenças tropicais, qdo na verdade são biótopos altamente equilibrados e especializados, com ríquissima ictiofauna e macrófitas aquáticas pouco estudadas. Nos anos 50(séc.XX) houve intenso programa de erradicação do mosquito transmissor da febre amarela com a utilização de aviões que pulverizavam lagoas e brejos com DDT e querosene, eliminando o mosquito junto com várias espécies de peixes, anfíbios, aves e répteis.


No Rio de Janeiro duas espécies são consideradas EXTINTAS desde os anos 50 - Leptolebias sandrii e Leptolebias cruzii. Infelizmente este parece ser o destino de TODOS os killifishes brasileiros; a total extinção das espécies.


Vc que está lendo este texto e mora na região metropolitana do Rio ou na Baixada Fluminense - sabia que muito provavelmente seu bairro foi moradia de killifishes? E isto continua ocorrendo neste exato momento - aterros e mais aterros para atender a demanda do mercado imobiliário!!! Quais são os custos ambientais da expansão das fronteiras urbanas? O que pode ser feito no sentido de resguardar tão belos organismos?
As possíveis soluções possuem a simplicidade de apenas 3 itens(com seus desdobramentos, claro), a saber: adequação da legislação ambiental para permitir a manutenção/reprodução em cativeiro por pessoas físicas e jurídicas(estes de interesse público e direito privado), instituir a obrigatoriedade de fazer constar nos REIA-RIMA a ictiofauna impactada pelas obras públicas e privadas que necessitem de terraplanagem e fazer valer o texto da Lei 9.605/98(que deve sofrer as correções necessárias).



Gosta da temática exposta? Junte-se a nós!!!!!

"Atitudes geram mudanças".

2 comentários:

Alecsander disse...

Moro no RJ capital tenho um aquário plantado e gostaria de adiquirir um casal de killi,infelizmente não tenho tanta facilidade assim mesmo sendo um peixe extremamente brasileiro,se puderem me ajudar ficaria muito agradecido.

Anônimo disse...

Cidadão, vc não compreendeu que são espécies endêmicas? Não podem ser comercializadas tão pouco criadas em aquário! Acorda!