segunda-feira, 24 de novembro de 2008

SOS DIADEMA

S.O.S. Meio Ambiente - Diadema (292 membros)
DEPOIS QUE A ÚLTIMA ÁRVORE FOR DERRUBADA, O ÚLTIMO PEIXE FOR MORTO E O ÚLTIMO RIO FOR ENVENENADO VOCÊS IRÃO PERCEBER QUE DINHEIRO NÃO SE COME.
................................................................................................
A natureza pede SOCORRO!
14.500 mts quadrados de Mata Nativa será posta abaixo por uma construtora. Clique aqui e veja as fotos

Assine o manifesto:
http://sos.diademanet.com.br

AJUDE-NOS, divulgue!

Localização:
Av. Dom Pedro I / Rua Caramuru / Rua Caetes
Vila Conceição - Diadema.

PARTICIPE DESTA CORRENTE!
"vamos proteger nosso verde, nosso ar, nosso lazer, nossa saúde, e lutar por uma cidade melhor sempre! - VÏÑÏ©ÏÜ

sábado, 15 de novembro de 2008

Aquariofilia em prol do meio ambiente

Qualquer um que seja levado a manter um aquário em casa ou em seu local de trabalho o faz por algumas razões, podem ser pelo simples prazer de apreciar as cores, formato e até pelo exotismo de alguns peixes. Num primeiro momento isto é tudo que um iniciante deseja - olhar para um micro-universo criado por ele próprio de acordo com sua imaginação e experiência.

O que trago aqui é o questionamento de sua atividade perante o meio ambiente e a natureza.

Sabemos que a maioria dos peixes existentes no comércio especializado (excluo aqui outras modalidades de comércio) são provenientes de reprodução em cativeiro, seja pelas mãos de criatórios comerciais ou hobbistas avançados. A quase totalidade destes peixes não pertencem a ictiofauna brasileira, são mais conhecidos no jargão ambiental como "espécies exóticas". Para quem nunca ouviu ou leu algo a respeito darei uma "palhinha" aqui, ok.

"Espécies invasoras ou exóticas": são organismos que não pertencem a fauna ou flora original de um determinado local, país, bioma ou biotopo. Exemplos: pombo doméstico (Europa), pardal (Europa), galinha (Ásia), goiaba (México), tilápia (África), etc. Como podem ver bichinhos tão comuns para nós na verdade são de outros lugares! O problema começa qdo estes organismos (e muitos outros ) encontram um ambiente que reune condições favoráveis para a multiplicação e fixação da espécie em detrimento da fauna e flora originais.

Mas o que são estes fatores que jogam a favor dos invasores?

1º - Oferta de alimento

2º - Ambiente para reprodução

3º - Ausência de predadores naturais

Estes 3 fatores sozinhos já possibilitam o aumento da população em velocidade exponencial na mesma proporção em que diminuem os organismos nativos. Um dado alarmante: as bioinvasões são a segunda razão do desaparecimento de várias espécies vivas só perdendo para a degradação ambiental (poluição e pressão urbana).

Perai....! O que tem a ver aquários e essa coisa de bioinvasão? Vou contextualizar, ok.

Uma pessoa comum dono de um aquário comum, iguais a tantos outros mundo afora. Esta pessoa vê numa loja um belíssimo peixe e resolve levar para casa um punhado deles e feliz da vida solta os novos moradores no aquário. Com o passar do tempo começa a notar que outros peixes começam a morrer ou ter pedaços de seus corpos mutilados, e descobre para o horror dele que são aqueles "belíssimos" peixes que comprou outro dia os culpados pela carnificina. Numa atitude intempestiva e vingativa retira aquelas "pragas" e atira-os na privada como se o problema ali terminasse. O problema na verdade só trocou de lugar: sai de um aquário e vai acontecer nos cursos de água nativos.

Em muitos rios que recebem efluentes domésticos sem tratamento é possível encontrar toda sorte de peixe que um dia foi ornamental. O impacto ambiental provocado por estes pequenos peixes pode ser considerados como alarmantes se pesquisarmos o equilíbrio do ecossistema atingido; reprodução desordenada, diminuição dos estoques naturais de comida, competição pelo espaço, alimento e ar dissolvido, etc....

E ai? Deu pra pegar o fio da meada? No passado estas questões que levanto não eram consideradas lesivas, ou melhor, nem consideradas eram!

A outra face ambiental de nosso hobby é relativo aos peixes capturados em seus ambientes naturais e transformados em ornamento. Muitos destes peixes são capturados dentro de áreas de preservação ambiental ou ambientes protegidos o que configura crime ambiental. O problema é de que forma podemos diferenciar um peixe ilegal de um legal (no sentido jurídico).

Sabemos que algumas espécies são muito especializadas e só existem em condições difíceis de ocorrer em mais de um local - dá-se o nome de "espécie endêmica" para estes organismos. Cito um exemplo clássico: o Leptolebias minimus que é encontrado nas drenagens oeste do rio Guandu(Rj). É nossa obrigação averiguar corretamente se o peixe que iremos levar para casa provem de coleta irregular e caso existam suspeitas, que rejeitemos tal anomalia ético/comercial.

Também levanto aqui o conceito de atividade auto-sustentável que envolve a aquariofilia brasileira. Pq "auto-sustentável"? Um dos conceitos de auto-sustentabilidade é justamente de eleger as atividades humanas que geram fixação do ser humano em seu ramo de atividade conjugado com garantias de obtenção de renda causando baixos impactos ambientais qdo bem planejados e executados (estou sendo econômico na definição,ok) e sob esta ótica a aquicultura ornamental estabelece parâmetros de qualidade e ética oferecendo altíssima variedade de espécies de peixes. Qto as atividades de extrativismo na região amazônica digo que mesmo que ainda hajam muitos peixes oriundos da região amazônica estes são capturados obedecendo uma legislação federal e fiscalizados por um orgão DE governo (não confundir com "órgão DO governo"), e é claro respeitando os períodos em que as espécies estão se reproduzindo, mais conhecido como "período de defeso".

O título da postagem é "aquariofilia EM prol do meio ambiente", logo devemos imaginar como de fato podemos influenciar positivamente pessoas de nosso convívio nas questões ambientais e de que forma podemos contribuir para que o modelo ambiental atual mude privilegiando áreas naturais e a recomposição das já degradadas.

Como fazer isto usando um aquário? Minha experiência com aquários temáticos ensinou-me algo interessante: ninguém respeita o rio Tietê (no trecho urbano) ou o rio Sarapuí (Baixada fluminense) simplesmente pq NUNCA viu um rio com vida!!!! Ai está a validade de um aquário gente!!!! Mostrar que um rio não é simplesmente um curso de água com duas margens, e sim um ambiente onde é possível a existência de vida bela e diversificada; com peixes, crustáceos, insetos, larvas, plantas, etc....

Viram como é fácil mudar uma ótica urbana e antropocêntrica de meio ambiente hídrico? Temos um modelo educacional de potencial gigantesco em nossas casas!!!

Sempre que posso apresento este modelo de educação ambiental para as pessoas - afinal é mais e barato montar um aquário temático pantaneiro que levar as pessoas para o Mato Grosso!!!! Não é mesmo???

E ai, vamos montar um modelo educacional em casa?

"Atitudes geram mudanças"
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domingo, 9 de novembro de 2008

Ação Nacional de Limpeza de áreas verdes 2008

Neste sábado dia 8 de novembro de 2008 foi dia de Ação Nacional de Limpeza de Áreas Verdes, patrocinada pela FEBRAC (Federação nacional das Empresas de Serviços e Limpeza Ambiental), Governo do Rio de Janeiro, Secretaria do ambiente, SEAC -Rj, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e turismo.


Também participaram Grupo Ecológico Herdeiros da Natureza (GEHNat), Recreação ocupacional Manguinhos(Coordenador Willian), Colégio Estadual Maranhão(Pilares - Prof. Vanessa).


Crianças da Comunidade de Manguinhos em início de atividades pela manhã acompanhados pelo Pres. do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Rio de Janeiro - SEAC - RJ, Sr. José de Alencar.


Voluntários: a alma das atividades de hoje e de muitas outras mundo afora.





A todos os participantes que compareceram houve uma mesa de frutas farta e farta distribuição de água mineral.


O início da "Volta Olímpica na Lagoa Rodrigo de Freitas" - Zona Sul. Observem as sacolas ainda vazias


Será que é tão difícil para a população imitar este gesto tão simples de colocar lixo no local correto? Certamente não, mas tudo indica que não é fator social a "deseducação", afinal estávamos num bairro onde as pessoas (teoricamente) possuem acesso a informação e recebem alto grau de instrução formal. Alguém pode me explicar?


A ciclovia é de uso público e não pode distinguir classe social, mas foi nítido o destrato com que boa parte dos "nativos da zona sul" trataram nossas crianças; grosseria, xingamentos, apitaços, tudo valia para excluir os "não-residentes". Cito o livro Cidade Partida de Zuenir Ventura que retrata muito bem os fatos.


Não tem problema! Ação de conscientização ambiental deve ser levada à todos e por todos. Cada atitude refletem nossas vontades por um mundo menos agressivo e humano. Estes são os fundamentos dos movimentos sócio-ambientais organizados.


Observem com atenção: lembram dos sacos vazios no início da jornada? E agora? Cheios né..... e a limpeza é feita pela COMLURB todo tempo. Eita povo sujão hein.....rsrs.


Uma pausa no deck tão controvérso aos olhos do greenpeace. Será que eles não conseguem arrumar factóides de melhor qualidade? Que tal investirem os $$$$$$ deles em estações de tratamento de esgotos e quem sabe fontes coerentes de energia limpa?


Flagrante do Pres. GEHNat (Francisco Alves) orientado as equipes voluntárias do mutirão com sua experiência profissional.


Instrução e agradecimento. Fórmulas de sucesso em qualquer gestão. Simples, porém complexo.


Final da jornada o retorno de ônibus fretado ao local de concentração.


A COMLURB(Companhia Municipal de Limpeza Urbana)mandou o catamarã para ajudar o dia.


Dir. Téc. GEHNat (Saito) em conversa com Marilene Ramos (Secretária de ambiente) sobre o estado das Unidades de Conservação sob responsabilidade do governo estadual e colhendo interessantes informações sobre ações futuras em algumas áreas de conflito ambiental.



Ahhhhh sim..... as sacolas né....Aqui uma pequena parte delas o resto não caberia na foto. Observem o olhar do Sr. Francisco Alves...."de onde saiu tanto lixo"????


Uma pose para a foto oficial do evento.


E a comemoração por todos e o sentimento do dever cumprido. Ganham todos.


"Atitudes geram mudanças"
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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Parque Natural Municipal do Mendanha: Criticamente em perigo de extinção 3

Flagrantes da gravação da entrevista da Bióloga Thereza Pessoa atestando a existência de novo gênero e nova espécie de anfíbio no maciço do Mendanha.



Takes externos para a mesma matéria.


Ambientalista Sérgio Ricardo entrevistado pela equipe do programa Balanço geral(Wagner Montes). Produtora Cláudia Macedo.


Auxiliar de cinegrafista: Paulo Rupert
Cinegrafista: José Esteves


Logo na entrada do Parque temos as manifestações contrárias á lei 4.899 pela população local. Não é preciso ser especialista em Direito Constitucional para perceber que as intenções não àquelas apregoadas.


Esquerda para direita: Dr Jorge(OAB - Bangu), Miranda(AMAR - Bangu/Simonsen), Sérgio Ricardo(Ambientalista), Yoshiharu Saito(GEHNat).


André Reboredo em entrevista à Rede Record sobre as questões ambientais e fundiárias dentro da Unidade de Conservação Parque Natural Municipal do Mendanha.


Uma caçamba de lixo dentro de uma Unidade de Conservação?


Representantes do Ministério Público em vistoria minuciosa


"Atitudes geram mudanças"

domingo, 2 de novembro de 2008

Parque Natural Municipal do Mendanha: Criticamente ameaçado de extinção 2

Área de uso intensivo do Parque logo na entrada.


Pequeno riacho de Mata Atlântica.


Não. Não é o caramujo-africano(Achatina fulica). É o nosso caramujo nativo(Megalobulimus sp.), portanto orgulhosamente tupiniquim. Diferencia-se do invasor africano por apresentar concha em tons de branco e as bordas arredondadas. Este vc pode deixar tranquilo.



sábado, 1 de novembro de 2008

Parque Natural Municipal do Mendanha: Criticamente ameaçado de extinção 1

O Ministério Público Estadual convocou diversos órgãos para discuti além da criação da lei 4.899/08, criada pelo vereador Jorge Felippe e sancionada pelo atual prefeito, César Maia, a questão fundiária para defeinir as áreas de proteção ambiental e o uso do solo, evitar as grilagens, ocupações irregulares e a importância da Mata Atlântica como patrimônio natural na região de Bangu. A reunião aconteceu em 30/10/08, na sede do Parque Municipal do Mendanha, localizado em Bangu. Estiveram presentes várias entidades como: Ministério Público Estadual, OAB-Bangu, GEHNat, IEF-RJ, FEEMA, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Associação de Moradores da Vila Progresso, Associação do Guandu do Sena, Instituto Verde, ambientalistas, Jornal O Globo, Rede Record dentre outros mais.


O Ministério Público, representado pelo assessor da Promotoria, Sr. Carlos Figueiredo, juntamente com as entidades presentes, visitou as diversas áreas do Parque Municipal do Mendanha, constatou-se a presença de diversas áreas desmatadas e queimadas além de observar um grande avanço da urbanização, ou seja, muitas residências, ruas asfaltadas, mas não é somente isso, há também muitas plantações de chuchu, banana... A presença de plantas e animais exóticos também foi fato marcante na região. A lei em questão é inconstitucional, pois vai contra o código florestal, SNUC, ou seja, contra a legislação ambiental.


A presença de nossa Instituição Conservacionista é de prestar apoio à nossas co-irmãs no sentido de compartilharmos de experiências bem sucedidas em Gestão de Unidades de Conservação e formação de seus respectivos Conselhos Gestores, além de transmitir de forma simples conceitos ambientais que contribuirão para a correta manutenção da biodiversidade fluminense.

Foto acima: o início da concentração dos representantes das entidades públicas, sociedade civil organizada, Ministério Público e imprensa televisiva e escrita.


Outrora, em tempos anteriores à ocupação humana este curso de água certamente abrigava muitos organismos nativos, mas agora é simplesmente um esgoto. Isto pq está dentro de uma Área de preservação. Imaginem se estivesse fora. Nosso questionamento é: a ocupação humana sempre será relacionado à degradação do meio ambiente?


Esta foto retrata aquilo que as grandes potências bélicas buscarão num futuro muito próximo: água. Petróleo e outros hidrocarbonetos estão com os dias contados como fontes energéticas sendo substituidos por outras mais coerentes e evoluidas, mas como substituir água? Acabem com o Parque Natural Municipal do Mendanha e toda zona oeste sentirá os efeitos. Vale a pena destruir toda biodiversidade para formar um curral eleitoral?

"Atitudes geram mudanças"

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Revitalização de rios

A palavra revitalização passou a ficar conhecida do povo, com essa novela em que se transformou a transposição do rio São Francisco.[http://www.carbonobrasil.com/textos.asp?tId=108&idioma=1]
É a exigência dos ambientalistas, antes do início das obras de bombeamento e da construção dos canais e dutos nas bacias que serão beneficiadas. A maior preocupação ambiental é com a manutenção da vazão; secundariamente, com a qualidade das águas do velho Chico.[http://www.comciencia.br/reportagens/2005/02/04.shtml]

Disse atrás que o Brasil está sempre atrasado e na lanterninha da modernidade. Enquanto aqui nós vamos com a farinha, lá fora (nos países desenvolvidos), eles já vêm com o fubá pronto. Não que sejamos inferiores, mas por falta de oportunidades, de educação e de inovação. Assim está sendo com a revitalização dos nossos rios. Assista a este vídeo (de 4 min em banda larga) sobre a revitalização do rio das Velhas-MG.[http://www.tvcultura.com.br/reportereco/materia.asp?materiaid=176]

Na moderna concepção ecológica, revitalizar um determinado rio não quer dizer apenas acabar com a poluição de suas águas e recompor as matas ciliar e ripária. Tem a ver, principalmente, com as suas funções originais, com destaque para a sua geomorfologia. Dou um exemplo.

É comum nas áreas planas (como na Amazônia e na Baixada de Jacarepaguá, aqui no Rio de Janeiro), os rios apresentarem meandros (aquelas curvas sinuosas do leito). Por ocuparem áreas valorizadas, o homem, “inteligentemente”, se apressa em aterrá-las, reduzindo o rio a um canal artificial. Isso, realmente, resolve o problema da escassez de áreas (que podem ser usadas para edificações ou agricultura), mas criam sérios problemas ecológicos. Em alguns países evoluídos, os técnicos já estão tentando refazer as curvas originais, quando possível.[http://restoringrivers.org/]

Ecologia é o ramo da Biologia que trata das relações recíprocas dos seres vivos e destes com o ambiente. Do Grego Oikos = casa, habitat + Logos = estudo. O ambiente em geral limita a sobrevivência dos seres. A população de uma espécie, num dado momento, é determinada pela relação entre o potencial biótico (índice de reprodução) e a resistência ambiental. Obviamente, quando a resistência ambiental aumenta, a população diminui; quando essa resistência baixa, a população cresce. Assim, a ecologia dos rios nada mais é do que o estudo das interações dos seres vivos que habitam os rios (e seu entorno) e o meio ambiente.

Os seres vivos que habitam a comunidade biótica dos rios e adjacências são extremamente variados: peixes, anfíbios, insetos, répteis, pássaros, mamíferos, moluscos, caramujos, algas e plantas superiores. A resistência ambiental antes referida e que ameaça de extinção estas espécies, também é farta: barragens, mineração, esgotos, desmatamentos, aterros, urbanização, estradas, irrigação, agrotóxicos, indústrias, retificações e outras interferências do homem na paisagem natural dos rios.

No Brasil, infelizmente, cerca de 97% dos técnicos encarregados do estudo dos rios, são os Engenheiros Civis que, por formação, não levam em conta nos seus projetos, os aspectos ecológicos. Algumas vezes, por força de lei, são obrigados a terceirizar os Estudos de Impacto Ambiental – Relatório de Impactos sobre o Meio Ambiente, EIA/RIMA. Seria injustiça desconsiderar a grande contribuição que esses Profissionais já deram e vêm dando aos Estudos Hidrológicos, tendo sido os pioneiros na Hidrometria (medição das vazões dos rios), por exemplo.

Mesmo nos países desenvolvidos, como a Áustria, por séculos, os rios têm sido manipulados e regulados com um enfoque mais tecnológico do que ecológico. Como conseqüência, hoje há um grande número de rios mortos ou quase, incapazes de exibirem com vigor suas importantes funções naturais.

Pelo enfoque tecnológico, o rio nada mais é do que um canal natural, de onde o homem retira, de graça, água para: consumo, irrigação, indústria, etc., devolvendo-lhe esgotos e maus tratos. Pelo enfoque ecológico, o rio é um meio líquido onde (nele e à sua volta) se desenvolve uma comunidade biótica, com atributos físicos e químicos, que devem ser conservados ou, pelo menos, não tão maltratados pelo homem.

PRINCÍPIOS ECOLÓGICOS
Os princípios ecológicos que devem nortear qualquer interferência do homem (resistência ambiental) no meio aquático ribeirinho e na zona ripária (faixa de terra que margeia os rios) para que ocorra o tão desejado desenvolvimento sustentável, são os seguintes:
1. Preservar a qualidade da água
2. Manter a integridade física do rio
3. Proteger o habitat dos animais e vegetais

A qualidade da água do rio é função da sua pureza, aproximando-se e até mesmo ultrapassando, no seu trecho inicial, à qualidade da água da chuva. Normalmente, mesmo sem a interferência do homem, essa qualidade vai se deteriorando, à medida que o rio avança e quando as águas chegam à foz, já estão, de algum modo, poluídas. Qualquer ação humana, mesmo bem intencionada, que interfira no fluxo natural das descargas e que leve águas-servidas e sedimentos ao rio, vai invariavelmente interferir nos seus padrões de qualidade. A vegetação marginal tem uma função primordial na qualidade da água pois, além de servir como filtro para os sedimentos que chegam à calha vindos da zona ripária, por protegerem a superfície do rio (ou parte dela) dos raios solares, mantêm o teor de oxigênio dissolvido na água, e fornecem alimentos e refúgios, indispensáveis para a sobrevivência das espécies aquáticas.

Manter a integridade física de um rio significa deixá-lo intocado, virgem, sem a interferência humana, como a maioria dos rios da Amazônia. Se bem que, mesmo ali, alguns já se acham contaminados por mercúrio, levado pelo ar, vento e chuva, de garimpos distantes.
Algumas feições naturais do rio são mais sensíveis às ações do homem, tais como: nascentes, várzeas, floresta ripária, pântanos, foz, ribanceiras e encostas elevadas, corredeiras e meandros. Essas características naturais e funções do rio devem ser preservadas de alguma forma, para proteger a integridade ecológica e para melhorar a conectividade entre os habitats dos animais silvestres. Como é impossível a urbanização sem ferir a integridade física do rio, as obras de engenharia como os diques de proteção contra enchentes, por exemplo, deveriam ser minimizadas, dando-se prioridade à retenção natural das águas, a restauração dos alagados ripários e às áreas de infiltração, para diminuir os volumes das enxurradas. Do mesmo modo, devemos evitar: as retificações dos meandros; a construção de moradia nas várzeas (margens); os pisos totalmente impermeáveis; os desmatamentos e os aterros de manguezais, etc.

Proteger o habitat dos animais e vegetais não é função apenas dos chamados de “eco-chatos”; é uma questão de soberania e inteligência. As várzeas, por exemplo, estão entre os mais diversificados habitats do mundo. O fluxo natural das águas determina o número e o tipo de habitats que existem no rio e em suas margens; é importante como fonte de alimento, locais de desova e recria e rotas de migração de animais silvestres, peixes e outras espécies aquáticas. As cheias naturais são a chave para a manutenção da integridade ecológica dos ecossistemas dos rios. Devemos conhecer a ecologia do rio, incluindo o seu passado histórico. Essas considerações incluem as características da área por ele drenada (a bacia), as várzeas, o percurso, os seus tipos únicos de habitats, a estrutura de seu leito e margens; os seus níveis d´água e descargas (Hidrologia), química da água e as necessidades biológicas de sua fauna (peixes, insetos, anfíbios, répteis, pássaros e mamíferos). Também é importante compreender como a estrutura do rio vem sendo alterada e como ela pode ser mudada no futuro.

Nos acostumamos a pensar que tudo o que ocorre de errado do lado de fora da nossa porta é problema do Governo; o acúmulo de lixo, os buracos nas ruas e os rios poluídos. Em parte isso é verdade, vez que pagamos impostos para quase tudo. Por outro lado, cada vez mais, cresce a participação da sociedade na solução de problemas que até há pouco “não eram da nossa conta”, como o combate à fome, a denúncia anônima, a adoção de crianças e o trabalho voluntário.

Fica patente, portanto, a seguinte situação: estamos rodeados de problemas que o Governo não consegue resolver mas que, se nós quisermos, podemos dar a nossa parcela de contribuição. Mas, para isso, precisamos conhecer o problema.

Por que os rios estão poluídos ?
Herdamos dos nossos colonizadores a cultura do desperdício. Se a Prefeitura não vem à nossa porta apanhar o lixo, é mais fácil jogá-lo pela janela, no valão mais próximo. É mais ou menos assim que fazemos com os nossos esgotos (domésticos e industriais), florestas, agrotóxicos e tudo o que é descartável. Os agricultores, na maioria das vezes por desconhecimento, usam técnicas agrícolas equivocadas (plantio morro-abaixo, solo desprotegido da chuva, monocultura, etc.), que levam toneladas de terra fértil para os rios, carreados pelas chuvas, assoreando-os e contaminando-os. As principais causas da degradação dos nossos rios são pois: o lançamento de esgotos sem tratamento, a erosão dos solos e o desmatamento.

Como podemos ajudar
Quem vive nas cidades (a maioria dos brasileiros) tem menos chances de ajudar na despoluição dos rios, uma vez que, na maioria das vezes nem os vemos, pois estão canalizados e concretados sob os nossos pés. Na periferia das cidades, onde os rios são verdadeiros canais de esgoto, ajudariam muito se, ao menos, não se construíssem barracos em suas margens e não jogassem lixo no seu leito. Por outro lado, os citadinos têm mais recursos do que os campesinos para promoverem a Educação Ambiental em larga escala.
Os que moram no campo, por estarem mais em contato com os rios, têm maiores responsabilidades com a sua recuperação. Entre as medidas práticas mais eficazes, relacionamos os seguintes:[http://www.therrc.co.uk/manual.php]
a) proteção das nascentes e matas ciliares;
b) conservação do solo e da água;
c) adoção de técnicas de irrigação localizada e do plantio-direto;
d) cobertura do solo com restos de cultura e adubação orgânica;
e) construção de bacias de infiltração da água da chuva ao longo e às margens das estradas vicinais; e
f) outros (vide link acima).

O que esperar do futuro
As ações de revitalização dos rios são comuns nos países desenvolvidos, desde a década de 60. O Brasil ainda está engatinhando nessa matéria mas, se quisermos, poderemos recuperar o tempo perdido através de técnicas limnológicas, como aquelas usadas pioneiramente pela Universidade de São Carlos – SP. O rio Mogi-Guaçu, por ex., que banha os estados de Minas Gerais e São Paulo, foi alvo, anos atrás, desses estudos. Foram pesquisados parâmetros físicos, químicos e biológicos da água e dos sedimentos desse rio, chegando-se à conclusão que, como a maioria dos rios brasileiros, ele está agonizante.[http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/baciaurb.htm]

Desse modo, meu amigo, se você quer ser um Gestor Ambiental competente, além de Ecologia, tem de estudar um pouco mais sobre Hidrologia[http://www.profrios.hpg.ig.com.br/].

ESTUDO SUPLEMENTAR
1 – Tópico sobre Revitalização de Rios.[http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=58825&tid=5845752]
2 – Capítulo sobre Limnologia na página sobre Riscos de Acidentes.[http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/index.htm]
3 – Manual inglês sobreRevitalização de Rios.[http://www.therrc.co.uk/publications.htm]
Dentre os vários enfoques requeridos pela Gestão Ambiental, a Gestão das Águas é, sem sombra de dúvida, a mais importante, pois ela tem a bacia hidrográfica como o palco de ação.[http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=58825&tid=23336126]

E já que falamos em Revitalização de Rios, vamos emendar o assunto com a chamada Gestão dos Recursos Hídricos, tratada na Lei das Águas (No 9.433/97). [http://www.ana.gov.br/GestaoRecHidricos/PlanejHidrologico/default.asp]

Por essa lei, qualquer interferência antrópica (do homem) nos mananciais, sejam de superfície ou subterrâneos, deve seguir as diretrizes governamentais. Foi-se o tempo em que uma única propriedade agrícola podia até secar um córrego com suas bombas de irrigação (deixando os demais a ver navios) ou uma indústria matar toda a fauna de um rio com os seus dejetos. Agora, tudo é regulado pelo Plano Diretor de Recursos Hídricos - PDRH. Entre 1997 e 2002, eu participei da elaboração de quatro Planos em rios do Nordeste.

Segundo dados da Revista Agroanalysis (ed. março de 1998, p.29), da água retirada de um rio, cerca de 70% vai para a atividade agrícola (irrigação, principalmente), 23% para as indústrias apenas 7% para o consumo humano. O PDRH disciplina essa disputa e delineia cenários de curto, médio e longo prazos para o uso sustentável dos recursos hídricos.

Em síntese, o Brasil copiou da França a sua política de gerenciamento de recursos hídricos, que criou os Comitês de Bacias (do rio Paraíba do Sul, Piracicaba, São Francisco e outros, p.ex.), disciplinou a outorga de uso e a cobrança pelo uso da água. O Comitê do rio Pardo, p.ex., é bastante atuante e eu cheguei mesmo a colaborar com ele, escrevendo alguns artigos técnicos em seu Boletim.[http://www.comitepardo.com.br/]

O Programa Desenvolvimento Sustentável em Debate, que vai ao ar toda 6a.feira, das 12 às 13 h, apresenta uma série de palestras relacionadas ao meio ambiente e gestão ambiental.[http://www.ea.ufrgs.br/eatw/dsd.asp]

À propósito, assisti ao vídeo Gestão ambiental nas regiões metropolitanas, do professor José Carlos da Silva Filho, que fez o doutorado na Alemanha e discorre o livro que escreveu sobre a gestão das águas no
Rio Grande do Sul.[http://www.ea.ufrgs.br/eatw/video_acervo.asp?caminho=eatwacervo2005/dsd/dsd_20051202.wmv]

E também, Uma visão integrada para o uso da água do ambiente, palestra proferida dia 24/03/06, pelo Professor Sérgio Brião Jardim, da PUCRS.[http://www.ea.ufrgs.br/eatw/video_acervo.asp?caminho=eatwacervo2006/dsd/dsd20060324.wmv]

Autoria: José Luiz Viana do Couto
e-mail: jviana@openlink.com.br

O que se espera de um gestor ambiental

O mercado de trabalho para os Gestores Ambientais é amplo, está em expansão e tende a crescer ainda mais com o aumento da consciência ecológica e a preocupação das empresas e instituições com a responsabilidade ambiental.[http://www.ietec.com.br/ietec/techoje/techoje/noticiasietec/2004/02/18/2004_02_18_0001.2xt/-template_interna]

As empresas voltadas para atividades de alto impacto ambiental, como as hidrelétricas, siderúrgicas, mineradoras e petrolíferas são as que mais empregam esses profissionais. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, estima-se que 85% das grandes empresas do país empreguem Gestores Ambientais e que o crescimento da procura por eles seja de 30% ao ano.

AS FUNÇÕES DO GESTOR AMBIENTAL
Entre as várias funções exercidas pelo Gestor Ambiental estão: o planejamento e administração de programas de gerenciamento ambiental, a implantação de certificações, o controle de qualidade e a preservação ambiental.[http://www.vencer.com.br/materia_completa.asp?codedition=56&pagenumber=8]

Para desenvolver tecnologias limpas, os resultados a serem obtidos com o trabalho do Gestor Ambiental podem ser resumidos nos seguintes:
> Minimização de resíduos e prevenção da geração de resíduos perigosos;
> Redução dos custos com gerenciamento de efluentes líquidos e resíduos;
> Redução do consumo de energia;
> Melhoria da qualidade do produto;
> Melhoria da produtividade;
> Redução dos riscos de saúde dos trabalhadores;
> Redução dos Riscos Ambientais;
> Diminuição do passivo ambiental da empresa; e
> Melhoria da imagem pública da empresa.

Segundo a Lei Federal No. 10.410 de 11/01/02 (que cria e disciplina a carreira de Especialista em Meio Ambiente), verificamos que:

Art. 2o. – São atribuições dos ocupantes do cargo de Gestor Ambiental:
I – formulação das políticas nacionais de meio ambiente e dos recursos hídricos afetas à:
a) regulação, gestão e ordenamento do uso e acesso aos recursos ambientais;
b) melhoria da qualidade ambiental e uso sustentável dos recursos naturais.
II – estudos e proposição de instrumentos estratégicos para a implementação das políticas nacionais de meio ambiente, bem como para seu acompanhamento, avaliação e controle; e
III – desenvolvimento de estratégias e proposição de soluções de integração entre políticas ambientais e setoriais, com base nos princípios e diretrizes do desenvolvimento sustentável.[http://www.ana.gov.br/Institucional/legislacao/leis/lei10410.pdf]

O Gestor Ambiental é o profissional capacitado a coordenar equipes multidisciplinares que têm como objetivos: avaliar, prever, recuperar e minimizar impactos e riscos causados ao meio ambiente, além de implantar, administrar e avaliar sistemas de gestão ambiental em diversas organizações.[http://www.unicid.br/sup_tec/gestao_ambiental.htm]

Organização Curricular
O Curso de Gestores Ambientais é formado pelos módulos:
1 – licenciamento ambiental
2 – impactos ambientais
3 – recuperação e manejo ambiental
4 – ambiente empresarial

Do seu currículo constam as Disciplinas: licenciamento ambiental, princípios de biossegurança, manejo e conservação de ecossistemas, recuperação de áreas degradadas, empreendedorismo, educação ambiental e gestão ambiental integrada.

Como vê o amigo, o GA é um profissional bem eclético (entende de várias coisas) e deve ter espírito de liderança.

Salário Mensal
R$ 1.500,00 a R$ 6.000,00 (dependendo da experiência, tempo de formado e porte da empresa contratante).

Não pretendo com este tópico fornecer um curso à distância de Gestor Ambiental (pois sou um mero aprendiz de feiticeiro). Eu ficaria satisfeito se os colegas que trabalham na área, efetivamente, o utilizassem para trocar idéias e informações (colocando uma azeitona na empada dos que estão iniciando); como um amigo, que externou a sua dificuldade em reunir recursos para atuar junto a agricultores familiares, por exemplo.

Definindo PRIORIDADES
Como vimos no bloco anterior, são muito vastas as áreas de atuação do Gestor Ambiental e, portanto, dada a carência de recursos e a limitação temporal, há que se definir prioridades. O texto abaixo (cor verde) foi transcrito do Caderno de Formação número 4 do MMA (pág.51/80).

As conclusões da pesquisa Perfil dos Municípios Brasileiros, Meio Ambiente, 2002, realizado pelo IBGE, sugerem uma tendência entre os gestores públicos brasileiros. Eles dão mais atenção àqueles problemas ambientais que afetam de forma direta a qualidade de vida das pessoas, como os referentes ao saneamento, por exemplo.

Essa informação é bastante relevante para quem realiza o planejamento específico dos órgãos ambientais. Mas ao definir suas prioridades de atuação, será necessário considerar também as ações destinadas a defender a fauna, a flora, bem como os demais recursos naturais. Afinal, essa constitui a sua especificidade. Da mesma forma, o planejamento deverá equilibrar, para cada ação priorizada, as distintas atribuições do Sistema, de modo a exercer controle e fiscalização, atuar no manejo, realizar ações educativas, e promover o monitoramento das condições ambientais locais.

AÇÕES AMBIENTAIS PRIORITÁRIAS
1 – Saneamento: água, esgoto, lixo e controle de vetores;
2 – Qualidade da água: metais pesados e resíduos organoclorados;
3 – Mobilidade urbana: espaço público e transporte;
4 – Áreas verdes: praças, parques e espaços livres;
5 – Unidades de conservação: atrativos paisagísticos e biológicos;
6 – Queimadas e incêndios florestais: Código Florestal;
7 – Desmatamentos: Reserva Legal e Área de Preservação Permanente;
8 – Parcelamento do solo urbano: Lei No. 6.766 de 19/12/79; e
9 – Combate à poluição: do ar, visual, hídrica, agrotóxicos, mineral, etc.

Eu acrescentaria:

10 – A recuperação de áreas degradadas e das matas ciliares com espécies nativas e leguminosas com raízes enriquecidas com bactérias fixadoras no Nitrogênio atmosférico;
11 – Avaliação do estado trófico dos mananciais de superfície (clorofila_a e/ou sedimentos), por meio de sensoriamento remoto orbital; e
12 – Uso de modelos hidrossedimentológicos (como o Arc View Soil and Water Assessment Tool – AVSWAT, p.ex.), para analisar os impactos das alterações no uso do solo sobre o escoamento superficial e subterrâneo, produção de sedimentos e qualidade de água em bacias hidrográficas agrícolas.

Na definição dessas prioridades, é bom não esquecer os pontos fundamentais como, p.ex., a ausência de previsão de medições hidrométricas em programas de conservação do solo em microbacias hidrográficas rurais ou que objetivem o controle da poluição em bacias urbanas, como a do Mata-Fome (Belém-PA), que motivou o meu tópico PRIORIDADES AMBIENTAIS[http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=58825&tid=2460685481557509671].

A PRIORIDADE das prioridades
Com tantas prioridades ambientais, muitas vezes, o Gestor Ambiental tem de se decidir pela mais importante. Sem dúvida, eu elegeria os esgotos domésticos. Seguem-se algumas razões para a escolha:

1 – junto com a água, são responsáveis por mais de 80% das doenças;
2 – de cada 10 litros de água potável, 8 se transformam em esgoto;
3 – para cada real aplicado em saneamento, 4 são evitados em saúde;
4 – têm a menor cobertura domiciliar (atendimento) em todo o Brasil;
5 – são os maiores responsáveis pela poluição dos nossos rios e lagos; e
6 – com os devidos cuidados sanitários podem ser úteis na irrigação.

O problema da água poluída pode ser resolvido pela simples exposição de uma garrafa PET (cheia a ¾) ao sol por 4 a 6 horas; o lixo pode ser minimizado pela reciclagem e compostagem (ambos fáceis de se praticar); mas os esgotos domésticos, só com tratamento biológico.

Dos 4 métodos para o tratamento dos esgotos, principalmente para as pequenas comunidades, eu apostaria no valo de oxidação.[http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/esg4.htm]

Além de ter a mesma eficiência de uma estação de tratamento de esgotos (ETE) convencional, ocupa menos espaço, é bem mais barata e diminui os custos de construção da rede coletora. Assim, em vez de uma única ETE para atender a toda a cidades, pequenos VALOS estrategicamente localizados, seriam responsáveis por redes menores.

Na zona rural e na periferia de algumas cidades, os esgotos podem servir ainda, como nos campos de absorção, à sub-irrigação.[http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/esg3.htm]

Pode-se, inclusive, improvisar uma pequena ETE feita só com plantas aquáticas, como o aguapé.[http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/esg61.htm]

Pelos motivos acima, procure estudar mais sobre o assunto.

INCINERAÇÃO DO LIXO
Por conta da sua condição de país sub-desenvolvido e pouco investimento em pesquisa, o Brasil está sempre 20 a 30 anos atrasado, tecnologicamente, em relação à Europa e Estados Unidos. Infelizmente. Foi assim com a adoção de difusores de O2 no fundo dos reatores biológicos das ETEs; de indicadores biológicos (invertebrados aquáticos e peixes), na avaliação da degradação ambiental dos córregos e outros mananciais; com a aplicação de mantas têxteis nos aterros sanitários; e, agora, com a incineração generalizada dos seus resíduos sólidos domésticos (que ainda nem começou por aqui).

O Ibope divulgou, recentemente, os resultados de pesquisa realizada em todas as regiões do país, por encomenda da ONG ambientalista WWF-Brasil, sobre a percepção e atitude dos brasileiros em relação aos problemas do meio ambiente, mais especificamente ao uso da água.

Da pesquisa, destacamos a percepção espontânea de 10% da população brasileira de que o lixo é um dos nossos três principais problemas ambientais. Considerando que a poluição das águas, indicada por mais de 50% dos entrevistados como o principal problema ambiental brasileiro, é, em grande parte, causada pela destinação incorreta do lixo urbano, concluímos que o lixo é o grande vilão do meio ambiente em nosso país.

Uma solução muito difundida em passado recente --- os aterros sanitários --- é hoje evitada sempre que possível. Além do risco de contaminação das águas, sempre presente ainda que o aterro seja concebido dentro da melhor técnica, há as inevitáveis emanações do biogás resultante da degradação da matéria orgânica ali depositada, composto por cerca de 50% de gás metano (CH4), 21 vezes mais prejudicial ao aquecimento global do que o CO2. Na Europa, a proibição do envio de matéria biodegradável para os aterros é uma das principais metas de redução das emissões dos gases estufa. Mesmo as melhores técnicas de captura do biogás de aterro para geração de energia não obtêm eficiência superior a 70%.

Por outro lado, uma rota tecnológica muito criticada no final dos anos 80 aproveitou forte evolução técnica durante os anos 90 e hoje representa o que há de mais moderno em termos de destinação final dos resíduos urbanos: o tratamento térmico do lixo com geração de energia. Mais de 130 milhões de toneladas de lixo por ano são utilizados como combustível para geração de energia, em centenas de usinas espalhadas pelo mundo, totalizando potência instalada equivalente a uma Usina de Itaipu.

A Convenção de Estocolmo sobre poluentes persistentes (2001) relaciona o tratamento térmico dos resíduos urbanos entre as “melhores técnicas disponíveis e melhores práticas ambientais”, desde que atendidos preceitos técnicos básicos: combustão dos resíduos em elevada temperatura e tempo de residência adequado, sistemas fechados e purificação dos gases/vapores.[http://en.wikipedia.org/wiki/Incineration]

O Brasil é um dos poucos signatários da Convenção de Estocolmo que, mesmo possuindo tecnologia nacional desenvolvida de acordo com as recomendações da Convenção, ainda não dispõe de nenhuma instalação de tratamento de resíduos urbanos com geração de energia em operação comercial.

Surpreendentemente ainda há resistências, dentro e fora do governo, às tecnologias modernas de destinação final de lixo já consagradas no mundo.
(O Globo, O povo sabe, mas o governo resiste, Eng. Químico Jorge Pesce, caderno Opinião, p.7, 17/02/07; os grifos, sublinhados e link são nossos).

Japão, Suécia e Dinamarca, líderes no processo, tem muito a nos ensinar. Na Dinamarca, p.ex., é praticado há mais de cem anos.[http://www.wte.org/docs/100YearsofWasteIncinerationinDenmark.pdf]

ÁREAS DE RISCO
Um dos maiores problemas atuais dos Gestores Ambientais (de plantão), pelo menos à médio prazo, é o que fazer com a população e as (precárias) moradias nas áreas de risco: favelas, encostas, margens de rios e lagoas, áreas de preservação permanente, dunas, alagados, cabeceiras de pistas de aeroportos, margens de ferrovias e outras.

Estudo recente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas – IPEA, mostrou que 6,6 milhões de brasileiros vivem em residências superlotadas, verdadeiras latas de sardinha. Não só latas: papelão, plástico, sobras de construção, prédios abandonados, sob viadutos e até em cavernas !

Em várias dessas habitações, quanto ao problema dos esgotos, até hoje, os engenheiros sanitaristas não descobriram uma solução plausível para as casas construídas sobre palafitas, como as que abundam na Amazônia e na região dos alagados de Belém, Salvador, Recife e de outras cidades litorâneas.

Parcelamento do Solo Urbano
Este, é regido pela Lei No. 6.766 de 19/12/79, onde é proibida a construção de moradias em terrenos:
1) alagadiços e sujeitos a inundações;
2) que tenham sido aterrados com materiais nocivos à saúde pública;
3) em condições geológicas desfavoráveis à edificação; e
4) com declive igual ou superior a 30%.

O problema é: quem obedece ?
Para os Gestores: para onde transferir ? que tipo de moradia ? como remover ?

Soluções
A remoção de residências das áreas de risco, passa por: uma legislação mais rigorosa; o monitoramento da expansão urbana pela Prefeitura; ação enérgica da Defesa Civil nas desocupações; e, também, por soluções criativas para a oferta habitacional às populações de baixa renda, tais como.
a) cidade auto-sustentável, do CREA-RJ;
b) casas totalmente feitas de bambu;
c) pisos com argamassa de entulho;
d) paredes e lajes (flutuantes) de garrafas-PET; e
e) telhas de papelão reciclado (impermeabilizado).

Enquanto essas soluções não se difundem, o Serviço de Meteorologia Municipal deve providenciar um serviço de difusão de alerta (via rádio ou alto-falante), para evacuação das casas quando certos indicadores hidrológicos ou geotécnicos mostrarem eminência de desmoronamento.

Mobilidade Urbana
O baixo poder aquisitivo da população favelada, graças à inoperância do poder público, induz à construção próximo ao local do (possível) emprego, mesmo que ali seja uma área de risco. Isso torna problemática a (desejável) remoção para um local distante. Isso aconteceu na década de 60, quando o Governador Carlos Lacerda transferiu moradores de uma favela do centro do Rio de Janeiro para uma localidade às margens da Av. Brasil, que ficou conhecida como Vila Kennedy. Aliás, nesta comunidade, funciona há cerca de 40 anos, um dos mais antigos (e pioneiros) valos de oxidação do Brasil, operado pela CEDAE. Quando eu ainda lecionava na Universidade Rural, levava sempre meus alunos para visitá-lo.

O ex-Prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, resolveu o problema desocupando uma área relativamente pequena da favela e construindo ali um edifício alto, para alojar os desabrigados; e aproveitou para urbanizar a área. Os mutirões comunitários parecem ser outra alternativa viável. O transporte de massa com corredores exclusivos, como em Curitiba-PR, parece ser outra solução para o problema.

E você, caro Gestor Ambiental, pode dar a sua opinião ?

Autoria: José Luiz Viana do Couto
e-mail: jviana@openlink.com.br

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Poluição do solo

Atualmente considera-se que a contaminação dos solos é um dos principais problemas ambientais, por impactar as culturas, os animais, o homem, a água subterrânea e os mananciais de superfície. A degradação do solo ocorre pela desertificação, uso de técnicas agrícolas equivocadas, desmatamento, queimadas e contaminação (química ou biológica).

O solo é capaz de absorver grandes quantidades de poluentes sem sofrer grandes transformações, mas na medida em que sofre, elas são quase sempre irreversíveis e os danos causados são de difícil recuperação. Há que se destacar que as atividades que podem causar danos à qualidade do solo e plantas ocorrem no longo prazo e/ou em pontos esparsos, mas dada a sua freqüente gravidade é necessário que se tenha em mãos todo um conhecimento para que se possa combatê-los eficientemente. Os estudos para desvendar essa intrincada dinâmica são recentes nas diferentes regiões do mundo e são muito raros no nosso meio.

Conforme o DL No. 28.687/82, art.72, poluição do solo e do subsolo consiste na deposição, disposição, descarga, infiltração, acumulação, injeção ou enterramento de substâncias ou produtos poluentes, em estado sólido, líquido ou gasoso.

A persistência da contaminação dependerá da eficiência dos processos físicos de transformação, tais como a evaporação, lixiviação, erosão e absorção pelas culturas. Somente a conversão total ou a mineralização da substância em elementos ou compostos amplamente distribuídos na natureza e que podem entrar nos ciclos biogeoquímicos é que representa descontaminação.

CARACTERÍSTICAS
O solo para nós, Agrônomos, é a camada da terra intemperizada, ou seja, a que vai (na vertical) da superfície à rocha dura que o formou. Para as plantas, o solo ideal contém uma fração sólida e outra flúida: a 1a. seria formada por 45% de minerais e 5% de matéria orgânica e a 2a., 30% de água e 20% de ar.
O Latossolo Roxo, encontrado em SP, PR e outros poucos estados, é o que mais se aproxima, com 35, 7, 32 e 26% respectivamente (A Água em Sistemas Agrícolas, Klaus Reichardt, ed.Manole, SP, 1987, p.28).

Uma das principais características dos solos (além da sua biologia) é a textura, ou seja, a proporção de elementos minerais: argila, silte e areia. O solo arenoso é pobre em nutrientes, mas deixa passar a água com facilidade; justamente o contrário do argiloso. Assim, um engenheiro ambiental saberá que a classe de solos arenosos conhecidos como Neossolos regolíticos, por exemplo, não será adequado para a disposição de lixo tóxico porque o excesso de drenagem poderá levar os contaminantes para as águas subterrâneas ou até superficiais. O poder dos Latossolos em reter água é melhor em relação aos Cambissolos, que são bastante drenáveis devido a sua granulometria.

A saúde ou qualidade de um solo em geral está relacionada a teores adequados de matéria orgânica, boa estrutura (agregados mais poros), cobertura vegetal impedindo a erosão, biodiversidade, principalmente no que se refere aos microrganismos e alguns outros fatores. Um solo não pode ser simplesmente usado, para qualquer que seja o fim, ele deve ser manejado, de preferência bem manejado. Da mesma forma que a água, ele é um recurso natural renovável, mas a renovação de um solo é muito lenta, um centímetro de solo pode levar mil anos ou mais para ser formado. Definitivamente, este recurso natural não pode ser tratado como uma simples lata de lixo.
http://lablogatorios.com.br/geofagos/tag/contaminacao-do-solo/

IMPORTÂNCIA
O solo desempenha uma grande variedade de funções vitais, de caráter ambiental, ecológico, social e econômico, constituindo um importante elemento paisagístico, patrimonial e físico para o desenvolvimento de infra-estruturas e atividades humanas.
O solo é um meio vivo e dinâmico, constituindo o habitat de biodiversidade abundante, com padrões genéticos únicos, onde se encontra a maior quantidade e variedade de organismos vivos, que servem de reservatório de nutrientes. Uma grama de solo em boas condições pode conter 600 milhões de bactérias pertencentes a 15.000 ou 20.000 espécies diferentes. Nos solos desérticos, estes valores diminuem para 1 milhão e 5.000 a 8.000 espécies, respectivamente.

Nos últimos 40 anos, cerca de um terço dos solos agrícolas mundiais deixaram de ser produtivos do ponto de vista agrícola, devido à erosão. A desertificação também, aumenta cada vez mais. E a salinização dos solos irrigados, idem.

Em termos ambientais, o solo é importante por:
a) servir de substrato para as plantas e as florestas;
b) armazenar água subterrânea para consumo;
c) ser fonte de matéria prima para indústria e mineração;
d) servir de depósito para os nossos rejeitos (lixo, esgoto, etc.); e
e) contribuir para o balanço energético global (temperatura) com os oceanos.

Por outro lado, a sua poluição, afeta as suas propriedades (físicas, químicas e biológicas), contamina a água subterrânea e as plantas que nele vivem. A contaminação do solo tem-se tornado uma das preocupações ambientais, uma vez que, geralmente, ela interfere no ambiente global da área afetada (solo, águas superficiais e subterrâneas, ar, fauna e vegetação), podendo mesmo estar na origem de problemas de saúde pública.

O solo é um recurso natural vital para o funcionamento do ecossistema terrestre e dos ciclos naturais. Apresenta inúmeras funções - uma delas é atuar como um filtro, graças a sua capacidade de depurar grande parte das impurezas nele depositadas; ele age também como um “tampão ambiental”, diminuindo e degradando compostos químicos prejudiciais ao meio ambiente. Essa capacidade de filtração e tamponamento, no entanto, é limitada, podendo ocorrer alteração da qualidade do solo em virtude do efeito acumulativo da deposição de poluentes atmosféricos, da aplicação de defensivos agrícolas e fertilizantes e da disposição de resíduos sólidos industriais, urbanos, materiais tóxicos e radioativos.

Vale ressaltar o papel de “filtro” exercido pelo solo, principalmente devido à presença de cargas elétricas nas argilas e na matéria orgânica do solo. Estas cargas têm o potencial não só de reter os elementos químicos que servem de nutrientes para as plantas, mas também de reter poluentes orgânicos e inorgânicos, impedindo-os de chegar aos corpos d’água.

O contaminante pode se apresentar no solo de 3 formas: 1 – livre (produto livre e puro); 2 – adsorvido (preso nas partículas); ou 3 – dissolvido (na água subterrânea). O tipo de remediação dependerá de como o contaminante se encontra no solo, sendo que a biorremediação (uso de microrganismos) poderá trata-lo diretamente nas 3 fases.

O Centro de Tecnologia Mineral do MME – CETEM adota a Biorremediação de solos argilosos contaminados, com o emprego de microrganismos presentes no próprio solo e a criação de condições para que eles cresçam e degradem os contaminantes.

CAUSAS DA POLUIÇÃO DO SOLO
As principais ameaças sobre o solo são a erosão, a mineralização da matéria orgânica, redução da biodiversidade, a contaminação, a impermeabilização, a compactação, a salinização, o efeito degradante das cheias e dos desabamentos de terras. A ocorrência simultânea de algumas destas ameaças aumenta os seus efeitos, apesar de haver diferentes intensidades regionais e locais (os solos não respondem todos da mesma maneira aos processos de degradação, dependendo das suas próprias características).
Listamos abaixo as principais causas da poluição dos nossos solos:
a) Adubação da cana-de-açúcar com vinhaça ou vinhoto;
b) Infiltração do chorume em aterros sanitários e lixões;
c) Corretivos, fertilizantes e agrotóxicos (agricultura);
d) Solventes, tintas, PCBs e metais pesados (indústrias);
e) Necro-chorume dos cadáveres (cemitérios);
f) Derramamento de gasolina nos postos de combustíveis;
g) Desastres no transporte de produtos químicos em rodovias;
h) Animais domésticos (urina e fezes) nas praias e praças públicas;
i) Depósitos de rejeitos (químicos) industriais e de mineradoras;
j) Salinização de áreas irrigadas (sem drenos) com água salobra;
k) Chuva ácida (modifica o pH do solo em 2 ou mais unidades);
l) Lodo de esgoto (com metais pesados) das ETEs; e
m) Outras.

O volume de lodo de esgoto sanitário de uma ETE representa cerca de 1 a 2% do volume do esgoto tratado. Seu tratamento e disposição final podem alcançar até 60% do custo operacional da ETE, sendo um dos problemas mais complexos que enfrenta o engenheiro responsável. Boa parte desse lodo vai ter no solo.

Nas zonas urbanas, um dos principais poluentes dos solos é a gasolina derramada nos postos de serviço. Em São Paulo foi criado o Cadastro de Áreas Contaminadas da CETESB. Em 2006 foram identificadas 1.822 áreas no Estado, das quais 1.352 (mais de 74%) pertenciam a postos de gasolina. Na grande São Paulo foram 972 registros e 594 só na capital. Por isso, foi criada a Res. Conama 273/00: Programa de Licenciamento de Postos.

O Ministério da Saúde criou o programa Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Solo Contaminado – VIGISOLO, mostrando em seu site resumos de relatórios de avaliação de risco nas localidades onde já ocorreram contaminações: Cidade dos Meninos (organoclorados)/RJ, Santo Amaro da Purificação (chumbo)/BA, Basf-Paulínia (agrotóxico)/SP e outras.

MÉTODOS DE DESCONTAMINAÇÃO
Se o estudo de solos contaminados é recente, a investigação e desenvolvimento de processos e tecnologias de tratamento o é ainda mais. A abordagem das áreas contaminadas considera, normalmente, três fases fundamentais:

1 - Identificação das áreas contaminadas (inventários)
2 – Diagnóstico e avaliação das áreas contaminadas
3 - Tratamento das áreas contaminadas.

Atualmente consideram-se três grandes grupos de métodos de descontaminação de solo:

1) Descontaminação no local ("in-situ")
2) Descontaminação fora do local ("on/off-site")
3) Confinamento/isolamento da área contaminada.

Esta 3ª opção não se trata verdadeiramente de um processo de descontaminação, mas sim de uma solução provisória para o problema. O tratamento do solo como
metodologia de recuperação de áreas contaminadas é uma alternativa cada vez
mais significativa relativamente à sua deposição em aterros sanitários, devido essencialmente ao aumento dos custos envolvidos.

Entre os métodos mais utilizados encontram-se:
a) térmicos;
b) físico-químicos;
c) biológicos;
d) aterros industriais;
e) dessalinização; e
f) especiais (vitrificação).

Uma das técnicas mais recomendadas e adequadas atualmente de remediação desses meios contaminados é o tratamento biológico ou a biorremediação (item c).
Algumas técnicas de biorremediação: biorremediação passiva, bioaumentação, bioestimulação, fitorremediação, landfarming, compostagem e biorreatores.

A técnica do encapsulamento do solo com cimento é extensamente usada, porque pode oferecer garantia de estabilização química de muitos contaminantes e produzir uma forma mecanicamente estável do resíduo.
A Embrapa Meio Ambiente desenvolveu um método simples, em pequena escala, que consiste em colocar o solo contaminado em cilindros metálicos (de Fe, Al ou Cu) e deixá-los expostos ao sol durante um dia, numa caixa de madeira sob cobertura de plástico transparente. Mas só elimina microrganismos (fungos, bactérias e nematóides nocivos às plantas). Dimensões da caixa e dos tubos:
1,5 x 1,2 x 0,3m para 6 tubos de 1,1m cada e 15cm de diâmetro (120L cada); ou
1,4 x 1,2 x 0,2m para 7 tubos de 1,1m cada e 12,5cm de diâmetro interno.

A seleção do método apropriado constitui um processo complexo, envolvendo considerações detalhadas das características do local (fatores geológicos e hidrogeológicos), do poluente, da população microbiana presente no local, e um estudo da viabilidade técnico-econômica de aplicação das várias alternativas para o local específico.

BIBLIOGRAFIA
Reações e processos:
http://www.cpgmne.ufpr.br/docente/andrea/TC019_Contaminacao_de_solos.pdf
Prevenção e gestão:
http://www.cetesb.sp.gov.br/rede/default.asp
Remediação do solo:
http://ambiente.hsw.uol.com.br/contaminacao-dos-solos6.htm
Coletor solar da Embrapa:
http://www.cnpma.embrapa.br/public/public_pdf21.php3?tipo=lt&id=28
Biorremediação:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84782007000400049&lng=pt&nrm=iso
Áreas contaminadas de Sampa (Cetesb):
http://www.cetesb.sp.gov.br/Solo/areas_contaminadas/relacao_areas.asp
Gerenciamento de áreas contaminadas:
http://www.cetesb.sp.gov.br/Solo/areas_contaminadas/proced_gerenciamento_ac.pdf
VIGISOLO – Ficha de campo:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/ficha_de_campo_e_instrutivo_de_preenchimento.pdf
Manejo ecológico:
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=203838&tid=2451596441700943399

Autoria: José Luiz Viana do Couto
e-mail: jviana@openlink.com.br

O grande vilão

Não resta dúvida que o grande vilão do meio ambiente no Brasil são os esgotos, que podem ser industriais ou domésticos. No momento, vamos tratar do segundo.

ESGOTO DOMÉSTICO é a água das residências que contem dejetos (produzidos pelo homem, é claro). Seu conteúdo é: água de banho, urina, fezes, papel higiênico, restos de comida, sabão, detergente e água de lavagens. O que se chama de esgotamento sanitário é o conjunto de 3 ações: coleta, tratamento e disposição final. Vejamos cada uma delas.

A coleta consiste num sistema de tubos de cerâmica ou PVC que conduzem por gravidade as águas residuárias, da residência ao local de tratamento ou disposição final. Para se ter uma idéia da vazão de esgotos, usa-se a fórmula abaixo:
Qd = 1,44.p.q/86400 onde:
Qd = vazão doméstica (l/s)
1,44 = coef.retorno (0,8), dia (1,2) e hora (1,5) de maior consumo
p = população servida (habitantes)
q = vazão de consumo de água potável (l/dia.hab)
86400 = coef. de transformação de unidade (l/dia para l/s)
Se considerarmos uma comunidade com mil pessoas e um consumo de água de 200 l/hab.dia, teremos para a vazão de esgotos:
Qd = 1,44 x 1000 x 200 / 86400 = 3,3 l/s
À esta, devemos somar a vazão de infiltração na rede que, se a tubulação for de cerâmica vitrificada e a extensão da rede de um quilômetro, teremos:
Qi = inf.km = 0,0005 x 1000 = 0,5 l/s
Assim, a vazão total nesse trecho da rede e para esta população e infiltração, será:
Qt = Qd + Qi = 3,3 + 0,5 = 3,8 l/s

O tratamento consiste em tornar (bem) menos agressivo o esgoto quando ele for lançado no corpo receptor (destino final). Observe a reação química abaixo, que representa simplificadamente o que acontece com os esgotos domésticos:
C6H12O6N (compostos orgânicos) + O2 (oxigênio) ---> H2O (água) + CO2 (gás carbônico) + NH3 (amônia) + energia
Duas observações: em cima da seta, considerar a ação de bactérias aeróbicas e, após a mesma, os três produtos são compostos minerais.

Assim, tratar esgoto doméstico significa, resumidamente, transformar compostos orgânicos em compostos minerais, pela ação de bactérias. Estas, não precisam ser inoculadas, pois são comuns no esgoto. O Oxigênio (do ar, em geral) pode ser introduzido nas águas servidas por pás mecânicas giratórias acionadas por motores elétricos; acontece nos valos de oxidação, nas lagoas aeradas e nas ETEs de lodos ativados. Ao morrerem, essas bactérias formam um lodo, que precisa ser retirado do sistema por decantação. Só isso.

A disposição final dos esgotos apresenta muitas soluções. Neste esquema didático, mostro o caminho que ele segue assim que deixa as nossas casas:
http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/esg2.htm
Como pode ver, há soluções que nem precisam de canos (caso da fossa seca ou “casinha”); as chamadas “convencionais”; as redes de esgoto condominiais; e aquelas inovadoras, que usam até aguapés e lentilhas d´água (plantas aquáticas) para o seu “tratamento”. Mais alguns detalhes sobre o dimensionamento hidráulico da rede de esgotos, mostro (ao final) em minha página, no endereço;
http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/esg5.htm.
Há cerca de 20 anos no Brasil e a milênios em outros países, os esgotos vêm sendo aplicados nos solos como insumo básico da irrigação. Mas isso fica para outro capítulo.

ESGOTO NA IRRIGAÇÃO

A irrigação (Agricultura) retira 70% da água dos rios. Por sua vez, jogamos fora 80% da água potável (servida), sob a forma de esgoto. Então, por que não usar essa água na irrigação ?

Segundo a revista Irrigação & Tecnologia Moderna – ITEM (n.78,p.41,2008), nas duas últimas décadas, o uso de águas de qualidade inferior na agricultura aumentou significativamente, em razão dos seguintes fatores: dificuldades na busca por fontes alternativas de águas para irrigação; custo elevado de fertilizantes; custo elevado de sistemas de tratamento de efluentes e reconhecimento do valor da atividade pelos órgãos gestores de recursos hídricos.

No grupo das águas de qualidade inferior incluem-se: os efluentes de origem doméstica e industrial, o efluente de lodo de esgoto (com mais de 95% de água), os dejetos líquidos de animais, os efluentes do processamento de produtos vegetais; os efluentes da indústria de celulose e papel; os efluentes de agroindústrias; os efluentes de sistemas de drenagem; as águas salinas; e as águas ferruginosas.

A utilização de águas residuárias na agricultura irrigada pode ser uma forma efetiva de controle da poluição, aumento da disponibilidade hídrica, redução na demanda de fertilizantes para adubação convencional apresentando, assim, benefícios econômicos, sociais e ambientais podendo contribuir para melhoria das condições de saúde pública.

Durante o XVIII Conird (Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem, realizado em São Mateus-ES este ano), houve uma oficina tratando da “Utilização Sustentável de Águas Residuárias na Agricultura Irrigada”, onde foram abordados os seguintes temas: manejo, equipamentos, tratamento e uso na agricultura irrigada de águas residuárias da despolpa e lavagem dos frutos do cafeeiro; da suinocultura e da bovinocultura; técnicas de tratamento e aplicação sustentável do esgoto doméstico para uso na agricultura irrigada; diretrizes para utilização de esgoto sanitário tratado na fertirrigação de culturas; técnicas de tratamento de efluentes de laticínio para uso na agricultura irrigada; perspectivas do uso de águas residuárias provenientes da indústria sucroalcooleira na agricultura irrigada. No encerramento, esperava-se dos participantes a finalização de um documento contendo as diretrizes sobre o uso de águas residuárias de forma sustentável na agricultura irrigada.

JUSTIFICATIVAS
1) Cerca de 90% de toda irrigação em Israel é feita com o reuso da água de efluentes. Isso também acontece nos Estados Unidos, México, Oriente Médio e outros países/regiões do mundo.
2) São Caetano – SP foi o 1o. município do país a utilizar água obtida do tratamento de esgotos para irrigação e combate a incêndios. Essa água também pode ser usada na rega de locais públicos e limpeza de ruas.
3) Em junho de 2001 a Sabesp (Cia. de saneamento de SP) já vendia essa água a R$ 0,60/m3, enquanto a potável custava R$ 4,00/m3. Portanto, há vantagens econômicas consideráveis.
4) Atualmente cerca de 82% da população brasileira se concentra nas cidades e o consumo aí é maior que na zona rural havendo, portanto, bastante água para ser usada nos “cinturões verdes” e hortas periféricas.
5) Diversos pesquisadores brasileiros que integram o Programa de Pesquisas em Saneamento Básico – PROSAB estão realizando estudos para utilização do efluente das ETEs na irrigação.
6) No Brasil, a maior parte das iniciativas de reuso da água está no setor industrial, onde é especialmente útil.
7) A Organização Mundial de Saúde – OMS assegura que o tratamento primário de esgotos domésticos já é suficiente para torná-los adequados à irrigação de culturas de consumo indireto. No entanto, recomendam-se tratamentos secundário e terciário quando estas águas forem utilizadas na irrigação das culturas para consumo direto, como as hortaliças.
8) Os nutrientes e a matéria orgânica dos esgotos domésticos favorecem a fertilização do solo, melhorando a produtividade das culturas.

PRECAUÇÕES
O controle sanitário das águas utilizadas na irrigação de hortaliças consumidas pela população, principalmente no que se refere àquelas ingeridas cruas, é de grande importância em Saúde Pública, uma vez que podem servir de veículo de contaminação desses alimentos. Entre os germes patogênicos comumente encontrados nos esgotos domésticos, estão: bactérias, protozoários, helmintos (vermes) e vírus. São bactérias (Salmonela, Clostridium, Escherichia, Brucella), protozoários (Entamoeba, Giardia, Balantidium), helmintos (Áscaris, Trichuris, Ancylostomas, Necator, Enterobius, Hymenolepis, Tênias, Strongyloides), virus (o da Poliomielite, inclusive) e outros bichos (literalmente).

Quanto ao solo, devem ser avaliados os aspectos de sodicidade (o aumento do teor de sódio pode causar toxidez a algumas culturas e modificar propriedades importantes do solo), salinidade, excesso de nutrientes (N-P-K), amonificação do lençol freático (se o teor de N-NH3 for superior a 30 mg/L), alteração do pH (os limites devem ficar entre 6,5 e 8,4) e outros.

O QUE DIZ A LEGISLAÇÃO
O padrão de coliformes fecais e de ovos de helmintos recomendado pela Organização Mundial de Saúde (WHO na sigla em inglês, 1989) para irrigação irrestrita é:
a) <1.000cf/100ml ph="7,9;" ce="1,4dS/m" nh3="31,5mg/L;" p="4,9mg/L;" k="25,2mg/L;" dqo="107mg/L;" helmintos="153" cf="1,4x10^5/100mL." class="smller">CHORUME EM ATERROS Um dos problemas mais importantes no projeto e operação dos aterros sanitários é o manejo do chorume, gerado quando a água (da chuva, principalmente) passa através do lixo. Ao lado do vinhoto ou vinhaça da cana-de-açúcar, é um dos maiores poluentes orgânicos conhecidos.

Muitos fatores influem na produção e composição do chorume. Um dos mais importantes é o micro-clima sobre o aterro: chuva e temperatura. A topografia do terreno também influi no escorrimento superficial da água da chuva, que pode contribuir ou não para a produção do chorume, caso penetre ou não na massa de resíduos. A lista dos 6 principais fatores que afetam a sua produção é:
1) Clima;
2) Topografia;
3) Material de cobertura final do aterro;
4) Cobertura vegetal (depois de encerrado);
5) Fase atual e procedimentos operacionais; e
6) Tipo de resíduos sólidos urbanos (RSU).

A estimativa da produção de chorume é um parâmetro de projeto crítico no desenho de um aterro sanitário. O volume produzido causará elevado impacto ambiental (contaminando o lençol freático, os poços e córregos próximos) e também nos custos de operação (do aterro), coleta e tratamento. A estação de tratamento de chorume – ETC (que dimensionei no tópico abaixo), deve ser concebida para funcionar com a vazão máxima.

VOLUME DO CHORUME
No Manual do Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM, indicado por mim no dia 21/01/05 no tópico Projeto de aterro sanitário da Comunidade Gerenciamento de Resíduos (endereço abaixo), primeiramente calcula-se a área do aterro multiplicando a produção de lixo (m3/d) pela constante 560 (relacionada a vida útil = 20 anos; altura do aterro = 20 m; taludes de 1:3 e ocupação de 80% do terreno com a área operacional). Depois, multiplica-se esta área (m2) por 0,0004 (se o material de cobertura do aterro for argiloso, o que é desejável), para se obter a produção de chorume (m3/d).
Como o amigo pode observar, trata-se de uma metodologia muito empírica e “bitolada”. Pior é que o assunto é muito pouco estudado no Brasil, ou seja, há poucas alternativas de cálculo. Os sites do exterior, principalmente alguns dos EUA e Inglaterra, são mais explícitos. Ao final, darei o endereço de alguns.

MÉTODO DO BALANÇO HÍDRICO
Um dos mais racionais mostra esquematicamente o aterro, em seção transversal, como se fora um hexágono (polígono de 6 lados) alongado horizontalmente. Na parte de cima, há 2 setas, uma em direção ao solo (indicada por P de precipitação ou chuva) e outra em sentido contrário (indicada por E de evapo-transpiração). Os extremos da figura se prolongam para as laterais, indicando a superfície do solo. Nos lados que indicam os taludes (paredes inclinadas), há 2 setas curvas, que representam o escorrimento superficial da água da chuva (indicadas por R de run-off, em inglês). No interior do polígono há outra setinha, apontada para baixo, significando a retenção da umidade pela massa de RSU e consumida nas reações químicas que se processam nas 4 fases biológicas do aterro (designada por W de water, água em inglês). Finalmente, na parte de baixo da figura, há 2 setinhas apontadas para baixo, uma ao lado da outra, representando o chorume (e designadas pela letra Q, símbolo que, em Hidráulica, representa a vazão ou descarga). A fórmula matemática que representa o conjunto é dado por:
Q = P – E – R – W + I (fórmula adaptada, da Universidade da Flórida, EUA)
Todos esses símbolos foram explicados aí em cima, menos a possível infiltração (letra I) que pode ocorrer lateralmente, se a área externa do aterro não contiver um dreno de cintura, ou seja, contornando toda a área, para evitar que a água da chuva empoçada penetre no aterro.

Agora surgem 2 probleminhas para os Gestores/Engenheiros Ambientais: os cálculos da evapotranspiração e do escorrimento superficial ou run-off, que pertencem à Agronomia/Engenharia de Irrigação e à Hidrologia, respectivamente.

Ao final do post darei o “caminho das pedras”. Chamo a atenção para o uso do bom senso durante este raciocínio, pois costuma-se calcular a produção de chorume num único mês pois, se ele for o mais seco do ano, diminui P (chuva) e maximiza E (evapotranspiração); e vice-versa.

MÉTODO SUIÇO
Uma fórmula mais simples, conhecida como método suíço, é dada por:
Q = (P.S.K)/t onde,
Q = vazão de chorume (l/s)
P = chuva média (mm/ano)
S = área do aterro (m2)
K = coeficiente de compactação (tabelado)
t = tempo contido em um ano (365d x 86400s = 31.536.000s)
Valores de K:
a) compactação fraca = 0,25 a 0,50
b) compactação forte = 0,15 a 0,25

MANEJO DO CHORUME
Não basta estimar a produção de chorume do aterro; há vários procedimentos técnicos para maneja-lo convenientemente, tais como:
a) recirculação (no próprio aterro);
b) evaporação (para diminuir seu volume);
c) tratamento (ETC) seguido de disposição;
d) disposição do chorume em ETEs (estações de esgoto); e
e) combinação dos métodos acima.
Para se ter uma idéia, trabalhos consultados por mim na Internet mostraram que a recirculação do chorume, p.ex., reduz a DQO de 15.000 mg/l para menos de 2.000 mg/l no período de um ano.

CINCO DETALHES
1 – Vi num site estrangeiro a expressão:
Q = I – E – a.W onde,
Q = vazão de chorume (m3/ano)
I = aporte ou infiltração de água (m3/ano)
E = perdas por evaporação (m/ano)
a = capacidade de absorção de água do lixo (m3/t)
W = peso do lixo depositado no aterro (t/ano)

2 – Produção de gás do lixo (GDL)
GDL = 1868.C.(0,014.T + 0,28) onde,
GDL = gás do lixo (m3/t)
C = conteúdo de matéria orgânica do lixo (kg/t)
T = temperatura (oC)
O volume de água perdido pelo lixo sob a forma de vapor durante a geração do GDL pode ser estimada em 0,01 kg/m3 de GDL produzido.

3 – A chuva que realmente incide sobre a massa de RSU (lixo) é chamada de Chuva Efetiva e pode ser calculada pela expressão:
Pe = (1 – c).P onde,
Pe = chuva efetiva (mm)
c = coeficiente de run-off (tabelado)

P = chuva incidente sobre o aterro (mm)

4 – NECROCHORUME = líquido produzido pela decomposição dos cadáveres nos cemitérios, composto sobretudo pela cadaverina, uma amina (C5H64N2) de odor repulsivo, subproduto da putrefação. Existem vários casos de contaminação da água de poços em residências localizadas próximas a cemitérios.

5 – LIXÕES. Em cerca de 64% dos municípios brasileiros o lixo doméstico, quando recolhido, é jogado nos lixões, onde não há qualquer controle do chorume, que contamina o solo, a água subterrânea e os rios mais próximos.

PALAVRAS-CHAVE
Para pesquisa do assunto no Google: Leachate Production
Aterro sanitário, em inglês: Landfill.

CAMINHO DAS PEDRAS
Dados sobre o chorume:
www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/reciclagem/chorume.php
Cartilha sobre RSU:
www.resol.com.br/cartilha4/
Cálculo do chorume em aterros na Univ. da Flórida:
http://msw.cecs.ucf.edu/landfills.html
Site da Inglaterra sobre chorume:
www.landfillpipe.co.uk/Leachate_design.htm
Cálculo da evapo-transpiração:
www.fao.org/docrep/S2022E/s2022e07.htm
(fórmula de Blaney-Criddle da ETP)
http://jviana.multiply.com/journal/item/13
(Ajuda que veio de céu – Quanto as plantas bebem)
Tabela do Coeficiente de Run-Off (Fórmula Racional):
www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/drena1.htm
Dados climatológicos (chuvas, temperatura, etc.):
www.inmet.gov.br

Autoria: José Luiz Viana do Couto
e-mail: jviana@openlink.com.br

Bacia hidrográfica

Bacia hidrográfica é a área de drenagem de um rio. Desde 1997 (com a Lei No. 9.433/97 dos Recursos Hídricos), qualquer ação do homem sobre o ambiente deve considerar, não a divisão territorial, mas os limites da bacia. Como você pode imaginar, todos os problemas ambientais ocorrem nesta área, e não são poucos. Assim, o diagnóstico da situação dos recursos hídricos na bacia hidrográfica, pela diversidade e amplitude das ações, é uma das tarefas mais complexas dos Gestores Ambientais.

O assunto é tão interessante (e ainda pouco estudado) que, como lecionei durante alguns anos numa Universidade esta disciplina (Hidrologia), cheguei a criar dia 29/09/05 um tópico chamado “A Bacia como palco de ação”. Se não leu, vale a pena conferir. Fecha parêntesis.

No último Congresso Brasileiro da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES, realizado nos dias 2 a 7 de setembro de 2007 em Belo Horizonte – MG, os Engenheiros Civis Michele Correa e Bernardo Teixeira, da UFSCA, apresentaram um trabalho (*) sistematizando os principais problemas da bacia dos rios Tietê-Jacaré – SP, que são praticamente os mesmos das demais bacias brasileiras. Eis um resumo.

PROBLEMAS DAS BACIAS
Alguns problemas ambientais comuns verificados nas bacias hidrográficas brasileiras são listados à seguir:
> Ausência total de tratamento de esgotos;
> Tratamento de esgotos insuficiente;
> Elevado custo do tratamento pela má qualidade da água;
> Poluição industrial;
> Indústrias operando sem licença ambiental;
> Uso intensivo de agrotóxicos e fertilizantes;
> Irrigação excessiva e/ou inadequada;
> Consumo per capita acima da média;
> Ausência de estações hidrometeorológicas;
> Dispositivos de drenagem urbana insuficientes;
> Ocorrência de eventos críticos (enchentes e inundações);
> Ocupação irregular em APP (margens, encostas, várzeas, etc.); e
> Outros.

OBJETIVO DO TRABALHO
Propor Indicadores de Sustentabilidade para diagnosticar os problemas da bacia, com vistas à proposição de metas e ações nas áreas deficientes ou a priorização das metas já propostas pelo Comitê de Bacia. A continuidade do monitoramento permitirá a avaliação da eficiência da implementação destas ações, e visando a melhoria continua sob a ótica da sustentabilidade deve-se prever, em estudos futuros, a agregação e adaptação de outros indicadores.

OS INDICADORES
1 – Gestão participativa (1 indicador)
2 – Solução negociada de conflitos (1 ind.)
3 – Valor econômico (2 ind.)
4 – Universalização do acesso (4 ind.)
5 – Uso responsável (6 ind.)
6 – Planejamento integrado, sistemático e abrangente do uso (7 ind.)

Recomenda-se que os indicadores sejam aplicados anualmente para verificação da evolução de cada um deles, bem como para avaliar a efetividade das ações propostas a partir das análises do período anterior.

(*) Desenvolvimento de Indicadores de Sustentabilidade para Gestão de Recursos Hídricos no âmbito de Comitê de Bacia Hidrográfica.

Autoria: José Luiz Viana do Couto
e-mail: jviana@openlink.com.br