terça-feira, 7 de outubro de 2008

Entulho

A gestão de resíduos oriundos das atividades de construção civil representa um grande problema para os municípios, devido ao grande volume de materiais gerado e aos impactos ambientais associados à sua disposição irregular, principalmente nas grandes cidades brasileiras. Pinto (1999) estimou que essa massa de entulho pode chegar a 70% do total dos resíduos sólidos urbanos produzidos. A origem do entulho é variada: demolição, construção e reforma de edificações, obras viárias, escavações, limpeza de terrenos e outras.

COMPOSIÇÃO
O entulho é formado por argamassa, cerâmica vermelha, cerâmica polida, concreto, pedras, gesso, madeira, papel/papelão, plástico, metais, vidro, cimento-amianto, solo/areia, canos, fios e outros materiais usados na construção civil.

PROBLEMAS
Os principais problemas relacionados à destinação irregular dos entulhos são: ocupa o lugar do lixo nos aterros sanitários, diminuindo sua vida útil; obstrui a drenagem natural, causando enchentes; provoca a proliferação de vetores de doenças; causa poluição visual; desperdiça materiais que podem ser utilizados; etc. O custo total estimado do entulho depositado em depósitos clandestinos é de US$10/m3.

SOLUÇÕES
A reutilização e a reciclagem do entulho, juntamente com a redução da quantidade gerada, são alternativas para a redução dos problemas citados. É possível produzir agregados (areia, brita e bica corrida para pavimentação), contenção de encostas, canalização de córregos, fabricação de blocos, placas, briquetes, tubos para drenagem e, logicamente, reusá-los como argamassa e concreto reciclados. Outros usos do entulho podem ser a conservação de estradas de terra e o aterramento na construção de edificações novas. O custo da reciclagem é estimado em US$2,5/ m3.

VANTAGENS
A produção de agregados com base no entulho pode gerar economias de mais de 80% em relação aos preços dos agregados convencionais. A partir deste material é possível fabricar componentes com uma economia de até 70% em relação a similares com matéria-prima não reciclada.

TRABALHO DO GESTOR
Os três passos que a Prefeitura deve dar para resolver o problema são:
1) Proceder a um levantamento da produção de entulho na cidade;
2) Estimar custos da deposição irregular do mesmo; e
3) Determinar a tecnologia a ser empregada, os investimentos necessários e a aplicação dos resíduos reciclados.

LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
A Norma que desde junho de 2004 regula os resíduos de construção e demolição (RCD) é a Resolução CONAMA N.307/2002. Proíbe sua destinação em aterros de resíduos domiciliares, áreas de bota-fora, encostas, corpos d´água, lotes vagos ou em áreas legalmente protegidas. Prevê ainda a obrigatoriedade do Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil.

FONTES DE CONSULTA
www.mma.gov.br/port/conama/res/res02/res30702.html
www.brasilengenharia.com.br/sumario.asp?ed=547&cod=392
www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=2550
Diagnóstico da Gestão dos Resíduos da Construção e Demolição (RCD) no Município de Palmas-TO, Engenheira Ambiental Paola C.Almeida et al., Anais do 24o. Congresso Brasileiro da ABES, Belo Horizonte-MG, set 2007.

Autoria: José Luiz Viana do Couto
e-mail: jviana@openlink.com.br

Uma luz sobre a floresta

(Revista Época Negócios, n.17, jul.08, p.132)

Esqueça o boi, a soja ou o madeireiro ilegal. O maior vilão da Amazônia é nossa incapacidade de entender seus problemas.

De vez em quando alguém das comunidades (do Orkut) me pergunta sobre a Amazônia (mesmo sem saber que eu nasci lá, em Belém, onde fiquei até os 19 anos, antes de vir morar no Rio). Numa dessas, de uma estudante de Eng. Amb. da Univ. do Pará, cheguei a criar um tópico: “Prioridades Ambientais”. A mais recente (veja minha página de recados nos dias 11 e 12 de agosto p.p.) foi a Geógrafa Lizandra, especialista em avaliação e impacto ambiental, que pedia orientação por sentir-se “perdida e sem rumo” em São Gabriel da Cachoeira; no meio da mata, segundo suas palavras. Os maiores problemas da região apontados pela revista, resumo aí em baixo.

1 – DIVERSIDADE REGIONAL
Ao contrário de uma imensa e uniforme mancha verde, a Amazônia Legal tem 521 milhões de hectares, 22 milhões de habitantes e 9 estados, com realidades sociais, econômicas, políticas e ambientais distintas.

2 – DIFERENTES VISÕES
A Amazônia interessa à população local, aos madeireiros ilegais, especuladores imobiliários, fazendeiros, cientistas, ambientalistas e outros grupos. Cada qual tem seus motivos (racionais, emocionais, ideológicos) e procura defender sua visão particular sobre os problemas regionais. É irreal imaginar que seja possível buscar uma solução sem considerar as diferentes visões.

3 – GOVERNO NÃO SABE O QUE FAZER
O governo brasileiro não sabe o que quer da Amazônia e, muito menos, como solucionar seus problemas. A sustentabilidade trata da convergência entre o econômico, o social e o ambiental, mas a gestão da Amazônia é um exemplo de divergência. A nebulosidade institucional (presença do Ibama, Funai, Instituto Chico Mendes, Incra, Instituto de Terras, etc.) alia-se à corrupção e à submissão da floresta aos interesses políticos de oligarquias que se mantêm no poder graças à venda de favores a madeireiros ilegais e especuladores fundiários.

4 – TERRA SEM DONO
Enquanto se discute a soberania brasileira em relação à Amazônia, uma outra questão permanece sem solução: o problema fundiário. A Amazônia, hoje, é terra de ninguém. Após um amplo estudo sobre imóveis rurais na região, o Instituto Imazon concluiu que de 36% de áreas supostamente privadas, apenas 4% têm títulos indiscutíveis. Outros 43% são áreas protegidas e 21% são áreas supostamente públicas. A palavra “supostamente” aparece em mais da metade das terras da Amazônia. Sem clara definição da posse das terras e das regras associadas aos direitos de propriedade, resta a exploração predatória, descompromissada.

5 – CAUSAS DO DESMATAMENTO
Os vilões tradicionais do desmatamento na região são: a soja, o gado, o frango, os madeireiros e até os índios. Na verdade, ele decorre de vários elementos sociais, políticos e econômicos que determinam que o valor da terra nua seja superior ao da floresta em pé. Calcula-se que 80% da madeira consumida no país seja de procedência predatória ou ilegal. Houve época (na década de 70) em que desmatar significava limpar, conquistar, desenvolver. O desmatamento também está associado ao consumo de madeira como energia. Cerca de 70% da madeira brasileira é usada na produção de carvão vegetal (para a produção de ferro-gusa) e uso doméstico. O desmatamento também está relacionado à busca de uma alternativa econômica para o uso da terra. Sem uma política florestal, a terra nua ou com finalidade agropastoril gera mais renda. Leonardo da Vinci, no século 16, já apontava que as florestas devem ir além da madeira, ressaltando o valor de suas frutas, sementes, fibras, seus extratos, óleos e perfumes.

6 – CONHECIMENTO HÁ DISPONÍVEL
Recentemente, a polêmica sobre os índices de desflorestamento trouxe a público a qualidade científica do conhecimento gerado pelo Imazon, no que tange à análise de imagens de satélite. Este instituto foi criado em Belém e, em 18 anos, publicou mais de 200 trabalhos técnicos, boa parte veiculada em revistas científicas internacionais ou publicada como capítulos de livros. O Greenpeace produziu um extenso documento investigativo sobre a produção e o consumo de madeira ilegal. Eu completaria a lista, citando a Embrapa, o Museu Emílio Goeldi, o INPA, o INPE, as Universidades locais, outros órgãos de pesquisa regionais e até organismos internacionais. A ausência de uma solução para a região certamente não acontecerá por falta de informação.

7 – A FLORESTA PODE SER PRODUTIVA
A política florestal deveria contemplar a eliminação do mercado informal de madeira. Ele deve ser substituído pela certificação, pela adição de valor para produtos florestais e pela formulação de regras simples e claras para a comercialização de serviços ambientais. Sementes, frutos, óleos e extratos, se colhidos e armazenados adequadamente, podem depois ser transformados em matérias-primas para mercados sofisticados, como o de cosméticos ou de alimentos. Eu acrescentaria o turismo ecológico, o arvorismo, a observação de pássaros (birdwatching), a pesca turística e outras atividades que envolvam a floresta, de forma sustentável, como o açaí, o dendê e o babaçu.

8 – A EDUCAÇÃO É CRÍTICA
Os indicadores de educação da Amazônia são muito ruins se comparados com o restante do Brasil. Os moradores com mais de 25 anos têm 5,9 anos de estudo, ante 6,5 na média brasileira. Enquanto nas regiões Sul e Sudeste o percentual de jovens entre 20 e 24 anos matriculados nas universidades é de 16 e 15% respectivamente, na região Norte essa taxa não chega a 7%. Assim, tecnologias sofisticadas não são implementadas por falta de mão-de-obra, e o empreendedorismo não se desenvolve. Um bom conjunto de programas de capacitação em tecnologia florestal tropical e madeireira poderia ter reflexo rápido na capacidade brasileira de adicionar valor aos produtos florestais. Um bom programa de fomento de pesquisa da biodiversidade e suas aplicações poderia ser estruturado, sem a necessidade de criação de nenhum novo centro ou de obras civis.

Eu acrescentaria: o desestímulo de carreiras como a Engenharia e Direito, em prol de outras como a Farmacologia, Engenharia Florestal, Piscicultura e Geologia.

9 – LÁ NÃO É LUGAR PRA CULTURAS AGRÍCOLAS
Fala-se que a expansão do agronegócio ameaça a Amazônia. Programas de reflorestamento podem ser implementados como alternativa para a produção de carvão vegetal. A consolidação de uma economia florestal tropical que garanta a preservação da floresta amazônica, deveria integrar-se ao potencial nacional na produção de commodities. Para isso, é preciso integrar a política ambiental à agroindustrial, revisitando-se as regulamentações referentes ao uso da terra. Adendo meu: o solo ruim (78% são muito ácidos e de baixa fertilidade) e as chuvas intensas (em apenas 15 minutos de chuva, 36 litros de água por metro quadrado), em geral, não aconselham políticas agrícolas em grandes áreas. Tirando as atividades agroflorestais e o plantio de frutas exóticas e do dendê para biodíesel, o potencial da região é o turismo e a piscicultura.

10 – OUTRA IMAGEM PARA A AMAZÔNIA
A imagem do Brasil tem sido castigada pelo desmatamento. Com fotos de crianças seminuas e casebres sem paredes, pedimos ajuda a ONGs, bancos e empresas internacionais. “Paguem pela floresta em pé, ou derrubamos tudo!”, é o que parecem dizer nossos especialistas em comércio internacional. A impressão que dá é que estamos consolidando nossa posição como pobres pedintes, chantagistas ou desmatadores envergonhados. O discurso nacional sobre a Amazônia e o meio ambiente poderia passar de defensivo a proativo. Poderíamos mostrar que o país tem condições de garantir sua posição com base na construção de um novo modelo que combine a produção de alimentos em grande escala, uma matriz energética limpa e uma agenda ambiental florestal sólida e sustentável. Não há nenhum impedimento estrutural para que o Brasil assuma essa posição.

OUTROS DADOS:
(garimpados por mim na Internet)
> maior biodiversidade do planeta (cerca de 30% de todas as espécies)
> maior floresta tropical do mundo (3.300.000 km2)
> maior rio do mundo (6.671 km, 91 a mais que o Nilo)
> ocupa cerca de 60% do Brasil (5 milhões de km2)
> abriga cerca de 10% da população brasileira
> produz cerca de 7% do PIB nacional
> vocação: florestal e aquática
> densidade: 2 hab/ km2

Autoria: José Luiz Viana do Couto
e-mail: jviana@openlink.com.br

Tilápias em tanques-rede

(www.sebrae.com.br>Setores>Aquicultura e Pesca>Criação de tilápias em tanques-rede)

Nos próximos 50 anos, a criação de peixes pode nos transformar de caçadores e coletores marinhos em pecuaristas aquícolas. Exatamente como há mais ou menos 10.000 anos atrás, uma inovação semelhante transformou nossos ancestrais, de caçadores e extrativistas, em agricultores e pastores.
(Drucker, 2000)


Comparando a produção de peixe com outras carnes tradicionais no Brasil:
CARNE / CONSUMO / TEMPO (para produzir em escala comercial)
Frango -> 40 kg/hab.ano -> 2 meses
Boi -> 30 kg/hab.ano -> 30 meses
Peixe -> 7 kg/hab.ano -> 6 meses (tilápia)

Os peixes mais importantes na criação em cativeiro, no Brasil, são: a tilápia (38% da produção), carpa (24%) e tambaqui (14% do total). As exigências ambientais para o cultivo de TILÁPIA são: temperatura da água entre 20 e 30oC, oxigênio dissolvido > 4 mg/L e profundidade > 1,5 m. Alguns atrativos e características da espécie (Oreochromis niloticus ou tilápia do Nilo):
> Baixo teor de gordura = 0,9g/100g de carne;
> Baixo teor de calorias = 172 kCal/100g de carne;
> Rendimento em filé = 33 a 37%; e
> Peso médio por indivíduo adulto = 600g

As VANTAGENS do tanque-rede sobre outros sistemas de criação são: menor custo que nos viveiros; facilidade e rapidez na montagem, expansão, monitoramento e despesca; maior proteção contra predadores naturais; e uso de lagos e barragens já construídos. DESVANTAGENS: menor possibilidade de correção de parâmetros químicos e físicos da água; e regime alimentar pode ser feito apenas com ração. Aliás, esta, representa cerca de 65 a 75% dos custos de produção.

Mas, afinal, o que vem a ser um tanque-rede ? É um sistema de produção intensivo onde os peixes são confinados em altas densidades, numa gaiola com malhas que permitem uma grande troca de água com o ambiente e no interior da qual os animais recebem ração balanceada.

DETALHES DO TANQUE-REDE
Formatos mais comuns: círculo, quadrado e retângulo. Quadrado=2m x 2m.
Volume útil de cada um: 4 a 6m3.
Comedouros: 1 a 1,3m de diâmetro e 0,7m de altura (no centro do tanque).
Altura do tanque: 1,20m (1m submerso) a 1,8m (1,5m submerso).
Diâmetro das malhas: 5mm para alevinos e 8mm para peixe adulto.
Distância entre tanques: 1 a 2 vezes o comprimento (ou diâmetro).
Peso: 150 a 200kg/m3.
Densidade: 500 peixes/m3 no tanque de engorda até 200g/peixe e metade desse valor na 2ª. e última fase da criação, quando o peixe alcança 600g.
Produção: 600 a 900 kg/tanque de 4m3 (nas grandes barragens).
Outros acessórios: 4 flutuadores (tambores ou tubos de PVC fechados nas extremidades); cabo de ancoragem (de nylon com 12 a 14mm de diâmetro ou de aço); linha mestra, para alinhar os tanques-rede; bóia cega de 200 L nas extremidades da linha mestra; bandeirolas de localização; e outros.

FASES DA CRIAÇÃO
1ª.: alevinos (1g/peixe), 60 dias, até completar 200 a 300g/peixe; e
2ª.: engorda, 120 dias, até atingir 600 a 850g/peixe.

LICENÇAS AMBIENTAIS
(para implantação do empreendimento)
a) Licença Prévia ou LP, válida por 5 anos;
b) Licença de Instalação ou LI, válida por 6 anos; e
c) Licença de Operação ou LO, válida por 4 a 10 anos.

Em 1990 o Brasil produziu pouco mais de 16.000 t de peixes cultivados e, em 2005, a produção nacional foi de 178.746 t, um crescimento de 1.017% (IBAMA, 2005). Segundo a FAO (dados de 2002), no mundo, foram produzidas 39 milhões de toneladas de peixes (a China é o maior produtor), quando o Brasil, com suas 251.000 t, colaborou com apenas 0,64% do total mundial. Entretanto, segundo o mesmo órgão, temos capacidade para produzir até 10 milhões de toneladas, em 2030. Depende de você acreditar e TRABALHAR.
NOTA. Este texto teve 4 objetivos:
1 – Mostrar que a internete (no caso, o site do Sebrae) é uma fonte riquíssima de informações técnicas;
2 – Alertar contra a poluição dos possíveis locais de instalação (açudes, reservatórios e represas) dos tanques-rede;
3 – Lembrar que a própria atividade de aqüicultura, nesta modalidade, também provoca poluição (em menor escala); e
4 – Fornecer elementos para incentivar a produção de tilápia em cativeiro, uma proteína exportável de grande aceitação (nos EUA, p.ex.).

Autoria: José Luiz Viana do Couto
e-mail: jviana@openlink.com.br

Trabalho premiado

(Índice de Salubridade Ambiental em Áreas de Ocupação Espontâneas: um Estudo em Salvador – BA, Marion C.Dias e aux., Rev. Engenharia Sanitária e Ambiental, ABES, v.9, n.1, jan/mar2004, 23º.Congresso ABES, Santa Catarina, 2003).
http://www.abes-dn.org.br/publicações/en
genharia/resaonline/v9n1/v9n1t01.pdf
Prêmio “Saúde Pública e Ambiente”.

JUSTIFICATIVA
A carência ou precariedade dos serviços de saneamento ambiental (água, esgoto, lixo, drenagem e outros) tem sido uma das causas principais da degradação ambiental. Observa-se que um dos maiores problemas das favelas (chamadas no trabalho de “áreas de ocupação espontâneas”) é a falta de salubridade, conseqüência direta da falta de serviços de infra-estrutura sanitária. A salubridade ambiental é o produto das condições materiais e sociais que caracterizam o estado do meio ambiente, no qual as pessoas vivem e que interferem na saúde da população. Há quem inclua a variável cultural como necessária ao estudo do ambiente.

E por falar em favela, é bom lembrar que a moradia que não dispõe de serviços de saneamento ambiental, além de representar riscos à saúde humana, torna-se fator de degradação do meio ambiente.

Existe uma variedade de índices ambientais relacionados às condições de vida como, p.ex., o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, ICV – Índice de Condições de Vida, Indicadores Básicos de Saúde e outros. Aqui mesmo no ABC, já escrevi sobre alguns, como:
a) IDH Ambiental, 25/03/07;
b) IDM – Índice de Desenvolvimento Municipal, 27/03/07;
c) IQM – Índice de Qualidade dos Municípios, 29/03/07; e
d) Modelo de Priorização de Investimentos em Saneamento, 25/01/08.
Este agora (ISA/OE – Índice de Salubridade Ambiental em Áreas de Ocupação Espontâneas) pode e deve ser usado pelo Poder Público e a sociedade, na definição de políticas para essas áreas.

COMO MONTAR O ÍNDICE
O ISA/OE pode ser elaborado com base em dados secundários (reunidos em levantamentos anteriores) e, caso necessário, complementados com a aplicação de questionários nas residências. Assim foi feito no caso de Salvador-BA.

Inicialmente foram selecionados sete componentes do ISA/OE, que receberam os seguintes pesos, pela sua importância relativa:
1) Abastecimento d´água, IAA, p1=0,20;
2) Esgotamento Sanitário, IES, p2=0,20;
3) Resíduos Sólidos, IRS, p3=0,15;
4) Drenagem Urbana, IDU, p4=0,10;
5) Condições de Moradia, ICM, p5=0,15;
6) Sócio-econômico e Cultural, ISE, p6=0,10; e
7) Saúde Ambiental, ISA, p7=0,10.
Como pode ser observado, a soma dos componentes é igual à unidade.

Cada componente é caracterizado por variáveis ambientais relacionadas às condições físicas, econômicas, sociais e culturais do domicílio e de seus ocupantes, segundo a relação abaixo:

1 - ABASTECIMENTO D´ÁGUA
> Atendido com rede pública (%)
> Onde nunca ou raramente falta água (%)
> Consumo médio de água (l/hab.d)
> Amostra de água sem coliformes fecais (%)

2 – ESGOTAMENTO SANITÁRIO
> Destino adequado de dejetos sanitários (%)
> Destino adequado de águas servidas (%)

3 – RESÍDUOS SÓLIDOS
> Com coleta regular de resíduos sólidos (%)
> Com resíduos sólidos de responsabilidade da LIMPURB (%)

4 – DRENAGEM URBANA
> Sem ocorrência de inundação ou alagamento (%)
> Em ruas que possuem pavimentação (%)

5 – CONDIÇÕES DE MORADIA
> Com paredes de reboco (%)
> Com piso adequado (%)
> Com cobertura adequada (%)
> Possuem sanitário (%)
> Com caracterização interna completa (%)
> Guarda água em reservatórios com tampa (%)
> Amostra de água sem coliformes fecais (%)

6 – SÓCIO-ECONÔMICO E CULTURAL
> Domicílios próprios pagos ou financiados (%)
> Renda média mensal familiar (salário-mínimo)(%)
> Número médio de habitantes por cômodo (unidade)
> Com acondicionamento adequado de resíduos sólidos (%)
> Cozinha utilizada apenas para preparar alimentos (%)
> Não possuem animais (%)
> Possuem lavatório (%)
> Cabeça da família tem pelo menos 1o. grau completo (%)
> Morador reside a 5 ou mais anos, méd.cab.fam. (%)
> Dão tratamento doméstico à água (%)

7 – SAÚDE AMBIENTAL
> Sem resíduos nas proximidades – dist.=10m (%)
> Não apresentaram aumento de vetores (%)

Após a seleção das variáveis, foram determinados os percentuais de ocorrência de cada uma delas. Depois os indicadores foram homogeneizados por meio de interpolação linear. Com a obtenção dos indicadores, efetuou-se o cálculo dos índices parciais para cada componente, por meio de média aritmética do seu conjunto de indicadores. De posse dos índices, por meio da média ponderada, calculou-se o ISA/OE de cada área de ocupação espontânea. Os indicadores, componentes e o ISA/OE variam na escala de zero a 100 pontos.

Propôs-se seguinte formulação para o Índice de Salubridade Ambiental:

ISA/OE = Iaa.0,2+Ies.0,2+Irs.0,15+Idu.0,1+Icm.0,15+Ise.0,1+Isa.0,1

Uma vez somados os pontos obtidos por cada comunidade nos 7 componentes ambientais, o seu enquadramento da situação é feita segundo a Tabela abaixo:

SALUBRIDADE POR FAIXA
Insalubre = 0 a 25 pontos
Baixa salubridade = 26 a 50 pts.
Média salubridade = 51 a 75 pts.
Salubre = 76 a 100 pts.

Os cálculos ficam facilitados com o uso de uma Planilha Excel, como a que fiz com as 3 primeiras comunidades mostradas no trabalho original.

Que tal você tentar replicar esse exemplo nas comunidades de baixa renda que existem no seu Município ? A Natureza agradece...

Autoria: José Luiz Viana do Couto
e-mail: jviana@openlink.com.br

Peixe e poluição

Semana passada o Presidente Lula transformou a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca – SEAP em Ministério da Pesca. Deixarei de lado a polêmica criada com os novos cargos e, como Agrônomo e Sanitarista, abordarei apenas os aspectos relativos à produção de alimentos e à poluição.

Os peixes são a proteína mais barata e de melhor qualidade que pode ser produzida atualmente. Embora tenhamos 8.500 km de costa, 12% da água doce do mundo, 2 milhões de hectares de terras alagadas, grandes reservatórios e açudes, consumimos apenas 7kg/hab.ano de peixe, contra os 12kg recomendados pela OMS e a média mundial de 16kg.

Sabemos que a quase totalidade dos nossos rios são verdadeiras valas de esgoto bruto. A primeira conseqüência é a mortandade de peixes e, os que sobrevivem, adoecem e transmitem doenças a quem os consome.

A Resolução CONAMA 20, de 18/06/86, classifica as águas de acordo com sua utilização. Para cada classe, existe um critério técnico que determina quando a mesma é considerada poluída, estabelecendo uma quantidade mínima de poluentes que podem estar presentes. Por sua vez, a Vigilância Sanitária exige que cada grama de alimento não contenha mais do que 100 NMP (Número Mais Provável) de coliformes fecais.

A poluição afeta a morfologia do zooplâncton, fauna microscópica que compõe boa parte da dieta dos peixes menores, que sofrem com a escassez de alimentos e podem contaminar-se. Rubens Lopes, um dos responsáveis pelo estudo de zooplâncton no estuário e na baia de Santos, encontrou a bactéria Vibrio cholerae (causadora da cólera) em boa parte das espécies que examinou. Segundo Rubens, o mar é o ambiente natural da bactéria, mas a poluição orgânica torna a baía especialmente propícia para a sua multiplicação.

Os poluentes em peixes
Praticamente todo peixe que vive em ambiente natural contem traços de metilmercúrio. O mercúrio se acumula nos peixes quando a água poluída é filtrada através de suas guelras. Quanto mais o peixe vive, mais mercúrio se acumula.
Ao comerem peixes menores, retêm o mercúrio dos mesmos. Do mesmo modo, nossos tecidos acumulam o mercúrio dos peixes que comemos durante toda a nossa vida. O mercúrio é venenoso para o cérebro, o sistema nervoso; causa hipertensão, doença cardíaca, desordem mental e doenças endócrinas.

Assim como o mercúrio, outros poluentes, incluindo os PCBs, se acumulam nos peixes e nos tecidos humanos de quem come peixe regularmente. Eles podem permanecer no corpo por décadas, aumentando o risco de doenças como o câncer.

Quase todo o oceano já foi danificado de alguma maneira pela ação do homem e pelo menos 41% de suas águas foram seriamente afetadas. Os oceanos estão se tornando cada vez mais ácidos, devido à absorção de dióxido de carbono em excesso, e as plantas estão sendo afetadas pelo aumento da radiação ultravioleta.

Enquanto a pesca de subsistência (há 4 tipos de pesca: subsistência, comercial, esportiva e científica) tem um impacto limitado na ecologia marítima, a pesca comercial representa um alto impacto e joga toneladas de peixes, aves e mamíferos mortos no mar, e isso ameaça a extinção de várias espécies de tartarugas, aves, baleias e golfinhos.

Outros vilões da produção de pescado, no Brasil, são:
1 – esgotos (domésticos e industriais);
2 – agrotóxicos e dejetos de animais;
3 – chorume do lixo;
4 – derramamento de óleo;
5 – sobrepesca;
6 – tráfego de barcos;
7 – aterro de manguezais; e
8 – assoreamento e turbidez.

Não bastasse, ainda tem gente que adora comer sushi com peixe de origem desconhecida. À propósito: minha comida predileta é peixe (frito).

Autoria: José Luiz Viana do Couto
e-mail: jviana@openlink.com.br

Uso de algas como indicadoras

Na minha página de recados do dia 11/07/08 o amigo Júlio César dá a chave do cofre para a leitura do seu excelente trabalho de Mestrado: Diatomáceas (Ochrophyta) Epilíticas do rio Negro, Paraná: Estrutura da comunidade antes e após um derramamento de óleo diesel e vegetal. (UFPR, 77p., 2007). Como eu ainda não tinha abordado esse tema no ABC, pedi licença ao Júlio para resumi-lo.

Você deve saber que há décadas alguns organismos (peixes, invertebrados aquáticos, fito e zooplâncton, moluscos bivalves e outros) são utilizados no monitoramento da degradação ambiental dos mananciais hídricos. Cada qual tem as suas vantagens e desvantagens em relação aos demais. As diatomáceas são utilizadas amplamente como bioindicadoras de níveis tróficos e de sapróbia no mundo inteiro, sendo este trabalho, pioneiro no estudo da resposta desta comunidade à presença de óleo diesel e vegetal em sistema lótico de água doce.

DIATOMÁCEAS PERIFÍTICAS
As algas pertencem à uma família de plantas primitivas (a maioria formada por uma única célula), sem folhas, caules ou raízes; quase sempre têm clorofila e vivem em ambiente aquático.

Perifiton = complexa comunidade de microrganismos (fungos, algas, bactérias, etc.) que, juntamente com partículas orgânicas e inorgânicas, encontra-se aderido (firme ou frouxamente) a um substrato submerso. A comunidade perifítica serve de alimento e refúgio para invertebrados e pequenos peixes, além de ser importante fonte de energia e contribuir para a reciclagem de nutrientes. A relativa falta de mobilidade das algas perifíticas, resulta em respostas imediatas às alterações físicas e químicas no ecossistema, determinando uma modificação numérica e associativa das espécies que ali se desenvolvem. O hábito normalmente séssil, associado ao curto ciclo de vida das espécies de algas que compõem o perifiton, resulta em respostas imediatas às alterações ambientais, funcionando como indicadoras confiáveis da qualidade da água e de seu estado trófico.

Neste estudo foi escolhido o epilíton, ou seja o perifíton que habita seixos e rochas, pois são substratos naturais e abundantes na maioria dos rios no mundo.

AMOSTRAGEM
No trabalho inédito desenvolvido por Júlio César Costin no rio Negro, estado do Paraná, foram usados para obter amostras da comunidade de diatomáceas perifíticas, seixos com diâmetro médio entre 8 e 10 cm, retirados do eixo da calha do rio, em profundidade mínima de 30 cm, totalizando 12 substratos naturais. Uma amostragem foi realizada antes ao derramamento de óleo diesel e vegetal, e três depois. As amostras de epiliton foram removidas da superfície (parte superior) dos seixos exposta à luz, através da raspagem manual com escovas de nylon. Posteriormente foram confeccionadas lâminas, observadas em microscópio óptico em mil aumentos (1000x), já que as algas medem entre 2 à 300 micrômetros (milionésima parte do metro), tendo sido fotografadas com câmera digital (fotos em Anexo no trabalho).

ESPÉCIES INDICADORAS
As ornamentações na frústula de sílica que formam a parede celular são utilizadas para a identificação das diatomáceas. Trocando em miúdos: cada alga se parece com um grão de arroz ou com uma folha de eucalipto; e o número e disposição das suas “nervuras” é que diferenciam uma espécie da outra. Assim, foram identificadas as espécies consideradas abundantes, ou seja, aquelas que caracterizam cada amostragem, que representam no mínimo 80% do total de indivíduos identificados e computados.

CONCLUSÕES
1) Evidenciaram-se alterações na composição e abundância relativa das diatomáceas epilíticas considerando-se a fase pré e pós-derramamento.
2) Houve diminuição na riqueza de espécies após o derramamento de óleo; constatou-se que cerca de 40 % do total dos táxons encontrados na amostragem pré-derramamento, não foram mais constatadas nas amostragens pós-derramamento.
3) Do total das espécies encontradas na coleta anterior ao derramamento, 65,8% não foram encontradas um mês após o aporte de ambos os óleos.
4) As diatomáceas epilíticas responderam de forma diferenciada ao derramamento de óleo diesel e vegetal. Houve aumento da densidade de algumas espécies, diminuição de outras e algumas desapareceram ao longo do período do estudo.
5) Houve grande diminuição na riqueza e diversidade da taxocenose de diatomáceas epilíticas do rio Negro, por tanto esta biocenose pode ser utilizada como bioindicadora em derramamentos de óleo diesel ou vegetal.

Autoria: José Luiz Viana do Couto
e-mail: jviana@openlink.com.br


Agroenergia - A bola da vez

Ouvi na Voz do Brasil de 12/06/08 uma informação do Ministério de Minas e Energia – MME, dando conta que universidades brasileiras pesquisam baterias solares para serem utilizadas em locais remotos do país e que, também, estão sendo testadas pequenas turbinas hidráulicas para, em pequenos riachos, gerarem energia elétrica para até 150 famílias ou 750 pessoas, através de pequenas centrais hidrelétricas – PCH. Essa notícia atiçou a minha curiosidade e fui até o site do MME procurar dados mais concretos. Confesso que não achei mas, no menu Programas > Agroenergia, achei o arquivo Diretrizes de Política de Agroenergia, de 6/11/05, que passo a reproduzir, em parte.

O QUE É AGROENERGIA ?
Agroenergia é o nome genérico de atividades rurais destinadas primordialmente à produção de energia, seja térmica ou elétrica. São elas:
1 – Álcool (etanol da cana-de-açúcar)
2 – Biodíesel (produto derivados de oleaginosas e gordura animal)
3 – Florestas energéticas (plantações comerciais de eucalipto para carvão)
4 – Resíduos agroflorestais (utilização da biomassa vegetal e fezes de animais)

O etanol é um aditivo ou substituto para a gasolina (a participação dos veículos “flex-fuel” já representam 70% das vendas de automóveis novos no País). O biodíesel é um substituto para o óleo diesel mineral proveniente do petróleo, cuja demanda é de cerca de 840.000 litros por ano para a mistura de 20% ou o chamado B2. As florestas energéticas cultivadas (plantações de eucalipto para produção de carvão vegetal) destinam-se prioritariamente à fabricação do ferro gusa nas siderúrgicas brasileiras (cerca de 86% do total, em 2000) e apresentam a perspectiva de uso dos mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) para premiar a produção do chamado “aço verde”.

Quanto aos resíduos agroflorestais, o potencial de utilização também é grande, já que a participação da biomassa na matriz energética nacional está situada em 29% (é de apenas 11% em nível mundial) e tende a subir com o uso crescente do bagaço de cana-de-açúcar como fonte de energia nas novas termelétricas do País.

VANTAGENS
O Brasil é o país que reúne o maior quantitativo de vantagens comparativas para liderar a agricultura de energia: possui terra, mão-de-obra e tecnologia. Além de permitir que o País se lance como um fornecedor regular de combustíveis renováveis, também pode permitir a maior participação no mercado de créditos de carbono. Principalmente no caso do biodíesel, há uma vantagem adicional: o seu Programa prevê que boa parte da matéria prima seja fornecida pela Agricultura Familiar, que é a responsável pela geração de 70% dos empregos na zona rural. A autonomia energética comunitária é outro “milagre” que se espera da Agroenergia. Ou seja, a energia passará a ser um componente do custo de produção agropecuário e da agroindústria, tornando progressivamente atraente a geração de energia dentro da propriedade rural. E um dos maiores sonhos dos urbanistas é que a boa situação no campo, se não puder inverter o sentido do fluxo migratório para as cidades, pelo menos não continue a gerar favelas. Lembra do comentário sobre a ODM número 7 do meu texto que antecede a este ?

1) ETANOL
Empregado na indústria química, na fabricação de bebidas e como carburante, é hoje a principal bioenergia utilizada no mundo. Entre 2000 e 2004, sua produção mundial cresceu 47%, atingindo 41 bilhões de litros, dos quais quase 73% foram usados como combustível. Os maiores produtores e consumidores do etanol são o Brasil e Estados Unidos. Juntos, foram responsáveis por quase 70% da produção e do consumo mundial em 2004, seguidos pela China (9%), União Européia (5%) e Índia (4%), que utilizam o biocombustível misturado à gasolina em diferentes percentuais.

Só o Brasil, consumiu 12 bilhões de litros em 2004. Atualmente, são 70.000 agricultores em todo o Brasil e 393 usinas, distribuídas principalmente nas regiões Centro-Sul (responsável por 92% da produção de etanol) e N-NE (com os 8% restantes). São Paulo é disparado o maior produtor.

No entanto, a maior riqueza em sacarose na cana-de-açúcar e a possibilidade de se aproveitar o seu bagaço e sua palha para co-gerar energia (queima em caldeiras), que será consumida no processo produtivo do álcool, torna essa matéria-prima preferencial em termos produtivos (produtividade e custos), quando comparada com as demais.

O benefício ambiental associado ao uso do etanol é considerável, pois cerca de 2,3t de CO2 deixam de ser emitidos para cada tonelada de álcool combustível utilizado, sem considerar outras emissões, como o SO2. Ou seja, o uso do álcool reduz em 50% a emissão de monóxido de carbono dos motores de veículos, pois contém 35% de oxigênio, o que auxilia na combustão dos produtos derivados do petróleo. Além dessas características, é solúvel na água, não tóxico e biodegradável.

Mercados do etanol: 1 – combustível; 2 – uso industrial; e 3 – fabricação de bebidas.

2) BIODÍESEL
No caso do biodíesel, as principais produções e consumos estão na União Européia (principalmente na Alemanha, França e Itália), que fornece subsídios para incentivar as plantações de matérias-primas agrícolas em áreas não exploradas, mais isenção de 90% nos impostos.

As vantagens comparativas do Brasil são: a) a variedade de plantas oleaginosas capazes de gerar biodíesel (mais de 20); b) a extensão de terras disponíveis (cerca de 50 milhões de hectares de pastagens degradadas e/ou subutilizadas); c) mão de obra para a produção (Agricultura Familiar e grandes produtores); d) tecnologia e e) mercado.

3) FLORESTAS ENERGÉTICAS CULTIVADAS
Estima-se existirem no Brasil cerca de 3 milhões de hectares de eucalipto, destinados primariamente à produção de carvão vegetal. De acordo com a FAO, a área brasileira de florestas nativas é de aproximadamente 5,3 milhões de km2, ou cerca de dois terços da área do país, sendo a 2a. maior do mundo, após a Federação Russa.

As variações no consumo de energia da madeira (sob a forma de lenha bruta e resíduos), estão associadas ao grau de desenvolvimento do país. Seu uso é especialmente comum em áreas rurais dos países em desenvolvimento, sendo responsável pela quase totalidade da energia consumida no lar (fogão à lenha). Via de regra, o seu consumo é local, ou seja, colhido nas redondezas. Já o carvão vegetal (proveniente das florestas energéticas cultivadas, em geral de eucaliptos, e após queimados em fornos rústicos de barro) é mais consumido nas áreas urbanas e suburbanas, demandando cerca de 6 m3 de madeira verde para a produção de uma tonelada de carvão vegetal. Assim, incorrem custos de transporte, tanto da matéria-prima quanto do carvão, de processamento e de estocagem.

4) RESÍDUOS AGROFLORESTAIS
Esses resíduos são de 3 naturezas:
a) biomassa vegetal = restos de colheita, palha de arroz e outros;
b) subprodutos da agroindústria = bagaço de cana, vinhaça, etc.; e
c) fezes de animais = suínos, bovinos e aves.
Em alguns casos, podem ser utilizados pelo produtor rural ou agroindústria para a queima direta, visando a produção de calor. Em outros, como no caso das fezes de animais, a melhor alternativa é a produção de biogás em biodigestores. Entretanto, a principal forma de aproveitamento desses resíduos, ainda é a sua queima para a produção de vapor. O setor rural é, assim, o maior consumidor de biomassa para energia. Estima-se que o consumo per cápita atual seja de uma tonelada por ano, ou aprox. 15 giga-Joules (GJ), enquanto nas áreas urbanas este valor cai para 50%.

ETANOL DO LIXO

(Empresa britânica anuncia etanol 'feito de lixo')

Uma empresa britânica anunciou nesta segunda-feira (21/7) ter tecnologia para começar a produzir etanol a partir de lixo biodegradável em escala industrial dentro de dois anos. A Química Ineos Bio afirma que será possível usar lixo biodegradável municipal, lixo orgânico comercial e resíduos de agricultura, entre outros, para a produção do combustível. Segundo a empresa, a tecnologia já foi testada em um projeto piloto nos Estados Unidos. "Planejamos produzir quantidades comerciais de combustível de bioetanol de lixo para ser usado como combustível para carros dentro de dois anos", afirmou Peter Williams, diretor executivo da Ineos Bio.

A empresa alega que esta tecnologia tem a vantagem de não afetar a produção de alimentos. Uma tonelada de lixo seco pode ser transformada em cerca de 400 litros de etanol, informou a empresa.

"O fato de termos conseguido separar a segunda geração de biocombustíveis dos alimentos é um grande passo. Esperamos que a tecnologia garanta combustíveis renováveis e sustentáveis a um custo competitivo", disse Williams.

A empresa, no entanto, precisará da cooperação dos governos locais para ter acesso ao lixo.

COMO FAZER
A transformação se opera em três estágios. Primeiro, o lixo é superaquecido para a obtenção de gás. Em seguida, este gás é usado para alimentar bactérias anaeróbicas (biocatalizadoras) que produzem o etanol. No estágio final, o etanol é purificado para ser usado como combustível puro ou misturado à gasolina.

A Ineos ainda não anunciou a localização da primeira usina comercial de produção do etanol do lixo.

O INÍCIO
O processo foi desenvolvido em Fayetteville, no Estado americano do Arkansas. As pesquisas começaram em 1989 e a primeira usina foi montada depois de 20 anos de trabalho.

A fábrica está operando continuamente desde 2003, usando diferentes dejetos.

Fonte: Página de Ambiente Brasil e o Estadão Online, 22/07/08

A TACADA FINAL

Para não prolongar muito este capítulo do ABC, que chamei de “Agroenergia: a bola da vez”, vou empurrar para a caçapa a bola verde do etanol, com o resumo do artigo OCDE defende etanol do Brasil e critica EU e EUA (O Globo, Economia, 17/07/08, p.29).

O 1o. estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE isenta o etanol brasileiro dos principais ataques e condena os biocombustíveis americano, europeu e canadense. Enquanto esses países (ditos de 1o. mundo) subsidiam a beterraba, trigo e óleos vegetais (cujo etanol e biodíesel reduzem de 30 a 60% as emissões de gases poluentes), o etanol da cana-de –açúcar tupiniquim reduz as emissões em 80%. Diante disso, os preços do trigo, arroz e óleos vegetais aumentarão até 13% de 2013 a 2017. Já o do açúcar brasileiro será pouco afetado a médio prazo.

A OCDE defende “moratória” sobre biocombustíveis e revisão das políticas atuais, alegando que têm benefício ambiental duvidoso.

EUA, União Européia e Canadá gastaram US$ 11 bilhões em 2006 com subsídios, que deverão atingir US$ 25 bilhões de 2013 a 2017. O Brasil, segundo o estudo, reduziu (o grifo é nosso) seus incentivos fiscais ao etanol.

Autoria: José Luiz Viana do Couto e-mail: jviana@openlink.com.br

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Monte seu aquecedor solar!!!!

O planeta Terra recebe diariamente uma grande quantidade de energia solar. Essaenergia realiza diferentes funções que beneficiam os seres vivos e provocam fenômenosnaturais essenciais para a manutenção da vida no planeta. O ser humano ao longo dahistória se preocupou em aproveitar a energia solar transformando-a em outras formas deenergia, como a térmica, mecânica e elétrica. Para isso desenvolveu diferentestecnologias que utilizam a energia luminosa para aquecer água, mover moinhos e barcos,cozinhar alimentos e atualmente produzir eletricidade. Nesse momento será comentadasomente a utilização de coletores solares.

Os coletores térmicos solares foram desenvolvidos a partir do momento que se percebeu a possibilidade de aproveitar a energia do sol para aquecer água. Com o passar dos anos os coletores foram sendo aperfeiçoados e junto com outras partes, reservatóriocanos e chuveiro, formaram o sistema solar de aquecimento de água. A energia irradiante,luz e infravermelha, incide sobre a superfície preta dos coletores. A energia absorvidatransforma-se em calor e aquece a água que esta no interior dos mesmos. Essa águaaquecida, por ser mais leve, começa a se movimentar em direção à caixa, acima dos coletores, dando início a um processo natural de circulação chamado de termo-sifão, quedura enquanto houver uma boa irradiação solar. Resumindo, no ambiente do AquecedorSolar, o processo termo-sifão, resulta numa transferência térmica, levando o calor geradona placa para a água presente na caixa, sendo o meio de transferência térmica a própriaágua.

1. O aquecimento de água para banho no Brasil
O Brasil é um país de clima tropical com temperaturas médias anuais em torno de 20°C. No inverno, em alguns estados do Norte e Nordeste a temperatura está acima dessamédia. Em situação contrária, os estados da região Sul e Sudeste nessa mesma estação, a temperatura pode atingir valor muito baixo. Essa variação de temperatura, principalmentedurante o inverno, não permite que a água, tal como fornecida, seja utilizada diretamentepara o banho, necessitando um aquecimento complementar.A relação a seguir descreve as peças, as ferramentas e os complementosnecessários para a montagem de um Kit. Ao lado de cada item, na coluna da direita,aparece qual a sua finalidade na montagem.No Brasil, o equipamento eleito para realizar essa tarefa foi o chuveiro elétrico.Ele está presente em mais de 90% dos lares brasileiros oferecendo condições de confortosatisfatórias no momento do banho. Seu alto grau de difusão justifica-se pela suafacilidade de instalação, operação e manutenção, associado ao seu baixo custo.

A maior parte dos modelos disponíveis no mercado tem chave selecionadora paraas estações do ano ou então chave que descreve posições de temperatura. Essas chaves,associada ao controle de vazão de água, permitem compensar a variação da temperaturaambiente da água ao longo do ano e manter a qualidade satisfatória do banho. Graças aessa tecnologia a maior parte dos brasileiros pode tomar diariamente seu banho quente,que relaxa e renova os ânimos. Isto é algo impensável em outros países cuja energiaelétrica provêm de usinas termoelétricas, cuja eficiência no uso do combustível fóssil(petróleo, gás natural e carvão), é muito baixa. Algo ao redor de 25%. Os restantes 75%correspondem a uma energia térmica que usualmente é perdida.
Estima-se em média 8 a 10 minutos, o tempo necessário para o banho diário.Porém para algumas pessoas o banho pode demorar até 30 minutos. No fim do mês,somando todos os minutos diários de banho, o chuveiro representa aproximadamente40% do valor da conta de energia elétrica da residência popular.
Pesquisas realizadas pelo Programa de conservação de energia elétrica - PROCEL demonstram que entre 18 e 19 horas, em 50 % das residências há pelo menos umchuveiro elétrico funcionando. Esse acúmulo de chuveiros ligados coincide comperíodo de maior consumo de energia elétrica, conhecido como horário de ponta.Durante esse horário, entre 17 e 20 horas, as concessionárias de energia elétricanecessitam manter uma oferta de potência elétrica superior ao valor médio diário.
Normalmente, esse acréscimo de oferta é feito por meio de sobrecarga dashidroelétricas ou acionamento temporário das usinas termoelétricas, que além defornecerem energia emitem gás carbônico, o gás do aquecimento atmosférico.

Vejam no link e façam download do arquivo que está em PDF:
http://www.4shared.com/get/4792237/d3769378/economize_40_energia_-_monte_seu_aquecedor_solar.html
Se for da preferência de vcs posso mandar por e-mail. Deixe recado na página de comentários.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Atropelando o Mendanha - O lobby imobiliário se faz presente

O Parque Ecológico do Mendanha foi criado pelo Poder Público Municipal - Lei nº 1.958, de 05/04/1993 -, estando sob a jurisdição da Secretaria Municipal de Meio ambiente. O seu ecossistema é composto pela Mata Atlântica montana, submontana e antropomorfizado. Está situado "...no Maciço do Gericinó-Mendanha, compreendendo parte das vertentes das serras do Gericinó, do Mendanha e do Quitungo e dos morros do Gericinó e do Guandu, localizados na Zona Oeste do Rio de Janeiro" (Guia das Unidades de Conservação Ambiental do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro/Secretaria Municipal de Meio Ambiente, 1998, p. 183).

Segundo o Guia das Unidades de Conservação Ambiental do Rio de Janeiro, o Parque Ecológico do Mendanha possui uma área de 1.323, 47 ha, representando "...uma vasta gleba que se estende pla vertente sul do maciço do Mendanha, na região de Bangu, Zona Oeste da cidade" (Guia das Unidades de Conservação Ambiental do Rio de Janeiro, 1998:183).

Atualmente, Bangu é um dos ambientes urbanos mais áridos do Rio de Janeiro, registrando com freqüência as temperaturas máximas da cidade devido à falta de cobertura vegetal na região e às más condições de circulação ventos, que ainda causam problemas na dispersão de poluentes atmosféricos. A Fábrica Bangu, proprietária há mais de 100 anos de quase toda a área, apoiou o movimento pela criação do parque, dispondo-se a negociar suas terras com a prefeitura" (Guia das Unidades de Conservação Ambiental do Rio de Janeiro, 1998:182).

Até a publicação do referido guia pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a área da dita fábrica a ser desapropriada pela prefeitura e incorporada aos limites do parque ainda encontrava-se sem solução. Seria um impasse por questões financeiras ou simplesmente pura burocracia do Poder Público municipal?

Completando quinze anos da criação do Parque Ecológico do Mendanha, nos surpreendemos com a triste notícia da sua extinção pela Lei Municipal nº 4.899/2208, oriunda de projeto de lei do vereador JORGE FELIPPE e sancionada pelo prefeito César Maia, curiosamente num ano de processo eleitoral para prefeitos e vereadores e pior, num momento em que aumentam as preocupações e discussões mundiais com relação ao aquecimento global.

Preocupados com a possível perda irreparável de uma importante área verde da Cidade do Rio de Janeiro, uma vez que há com certeza interesses particulares por trás da extinção do Parque Ecológico do Mendanha, encaminhamos ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro uma representação de repúdio e indignação à tal atitude por parte do citado vereador e do Poder Executivo municipal que sancionou a lei de extinção do parque. Além disto, estamos acionando também outros órgãos pertinentes para que se manifestem sobre o caso, conforme as razões que seguem abaixo.

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA
Envolve a questão da Matra Atlântica e espécies ameaçadas de extinção. Acreditamos ser igualmente importante sua opinião.

Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - INEPAC


O conjunto formado pelas serras de Madureira, Mendanha e Gericinó encontra-se dentro dos limites do "Tombamento do Sistema Serra do Mar/Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro", de 06/03/1991.

Secretaria de estado do Ambiente


Pela Lei estadual nº 1.381, de 12/7/1988,foi criada a Área de Proteção Ambiental do Gericinó-Mendanha, abarcando os municípios do Rio de Janeiro, Nilópolis, Mesquita e Nova Iguaçu.

Secretaria Extraordinária de Patrimônio Cultural da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro(SEDREPAHC)
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)


Informações sobre a história da ocupação das terras do atual bairro de Bangu e da área do Parque Ecológico Municipal do Mendanha nos revelam a presença, no século XIX , das fazendas Espírito Santo e Mata-Fome, que no sécuo seguinte seriam denominadas Dona Eugênia e São Felipe, respectivamente.
Em 1893, instala-se naquela região a fábrica da Companhia Progresso Industrial, posteriormente denominada Fábrica Bangu. Para sua instalação e das vilas de técnicos e operários, foi necessária a aquisição de três grandes fazendas da região. Além disto, a fábrica construiu na Serra do Mendanha um reservatório - eternizado como "Caixinha" - e um aqueduto para o seu abastecimento. Observa-se a presença de mananciais no Mendanha, o que nos motiva ainda mais a lutar pela sua preservação.
Por sua importância histórica e pela possível existência de vestígios arqueológicos na área compreendida pelo Parque Ecológico Municipal da Serra do Mendanha, comprovando a ocupação daquela região desde o período colonial - em 1603, naquelas terras, foram concedidas sesmarias a Manoel Gomes e Diogo de Montarroios, antecedendo, portanto, as fazendas de café do século XIX já citadas -, rogamos a opinião da SEDREPAHC e do IPHAN quanto ao assunto.

Instituto Estadual de Florestas (IEF/RJ)
Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA)



A Lei estadual nº 1.381, de 12/07/1988, criou a Área de Proteção Ambiental (APA) de Gericinó-Mendanha nos municípios do Rio de Janeiro, Nilópolis, Mesquita e Nova Iguaçu. Pela iminência de qualquer atividade lesiva ao ambietne natural com a extinção do Parque Ecológico Municipal da Serra do Mendanha, somos favoráveis pela intercessão dos referidos órgãos estaduais de meio ambiente.

Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro


O Parque Ecológico Municipal da Serra do Mendanha foi criado pela Lei municipal nº 1.958, de 05/04/1993. "(...) Apesar da crescente pressão antrópica que a região sofre, a área desflorestada ainda abriga uma grande biodiversidade na sua fauna, típica das encostas da Mata Atlântica, contando com espécies raras, endêmicas e ameaçadas de extinção. Existem mamíferos, inúmeros anfíbios e répteis, mas são as aves que mais se destacam" (Guia das Unidades de Conservação Ambiental do Rio de Janeiro, 1998, p.183).
É oportuno destacar também uma outra lei municipal, anterior à da criação do parque, de nº 1.483, de 05/12/1989, autorizou o Poder Executivo municipal a criar a área de Proteção Ambiental da Serra do Mendanha, "visando a criação de um parque florestal", o que foi feito posteriormente, conforme já assinalamos.

Quanto aos limites do parque, assim descreve o artigo 1º da Lei nº 1.958/93:

"...área limitada a partir do encontro da Estrada do Guandu da
Serra (lado par) com a Estrada do Boqueirão até encontrar
a Serra do Gericinó e a Serra do Mendanha...'


Quanto à sua proteção, assim é descrito:

"...Ambiente natural, paisagens de grande beleza única e dos
sistemas geo-hidrológicos da região, que abrigam em área
densamente florestada espécies biológicas raras e ameaçadas de
extinção, bem como a presença de chaminés vulcânicas e nadcentes
de inúmeros cursos d'água contribuintes do rio Guandu que
abastece de água os municípios do Rio de Janeiro e da região do
Grande Rio".

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